A Câmara de Vereadores de Franca vem se notabilizando por conta de uma produção muito aquém da esperada pela comunidade. Nas sessões semanais tem se tornado muito presentes vários projetos de menor importância. Os maiores destaques do Legislativo têm sido negativos. O desmembramento das sessões semanais em duas partes, aumento dos próprios salários ou então com a proibição de que repórteres acompanhem as sessões do plenário.
Há poucos projetos apresentados pelos legisladores que tiveram inspiração nos anseios populares. Matérias de relevância têm se tornado raridade. Boa parte dos prefere perder tempo com discussões inócuas, procurando culpados para a sua própria inoperância ou então reclamando da imprensa que divulga as suas trapalhadas. Já passou da hora dos legisladores começarem a justificar os votos recebidos dos eleitores francanos.
Exceção aplicada a poucos membros da Câmara Municipal, não se vê, pelo menos nos últimos tempos, um trabalho mais eficaz dos vereadores junto à comunidade que os elegeu. Em Franca, o portador de mandato eletivo, em sua grande maioria, não procura os responsáveis por colocá-lo na posição que ocupa. Quando muito, detém-se no seu gabinete, esperando que a população os procure. É pouco. Os agentes públicos eleitos por voto popular têm a obrigação de acompanhar de perto o que acontece com a comunidade, com o seu eleitor. Deveria ter por princípio de atividade ouvir as suas reivindicações e trabalhar para ajudar a sanar as suas necessidades. Foi para isso que ele se candidatou, angariou a simpatia do eleitor e conseguiu o mandato.
Em nosso município, essa não é a praxe. A maioria dos vereadores dificilmente é vista nos bairros, percorrendo as ruas e procurando saber como seu eleitor vive e do que ele precisa — pelo menos longe do período eleitoral. O vereador deveria ter como função primordial fiscalizar o Executivo em todas as instâncias e, também, identificar deficiências na prestação de serviços ao contribuinte (que paga os seus salários) e ajudar a pensar em soluções. Mas não tem sido a regra. As exceções são raras e contam-se - com sobra - nos dedos de uma mão apenas. A guerra de egos torna-se mais importante do que o bem estar da população francana, que assiste a situação sem poder fazer muita coisa, mas certamente identificando quem não vai receber o seu voto nas próximas eleições. Quem sabe debruçando-se numa empreitada de fôlego - como a anunciada revisão da Lei Orgânica do Município - os vereadores consigam se redimir e mostrar, para sociedade como um todo, que sua eleição não foi obra do acaso ou da sorte. É o que todo mundo aguarda e, por isso, certamente, acompanha esta movimentação.