09 de julho de 2026

Locutor: o sucesso de quem sabe usar a voz


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VOZES DA DIFUSORA - Luís Cláudio Barsoteli e o diretor Everton Lima (esq. para dir.) estarão em evento no Senac na noite de hoje

Em abril de 1923, quando Edgard Roquete Pinto e Henry Morize fundaram a primeira estação de rádio do Brasil, a Sociedade do Rio de Janeiro, talvez não imaginassem a proporção da paixão que a radiodifusão despertaria em ouvintes de todo o mundo. Hoje, 87 anos depois, segundo dados da Anatel, são cerca de quatro mil emissoras em todo o território nacional.


Trabalhando nestes lugares estão centenas de profissionais que fizeram e fazem fama com seus vozeirões. Um bom exemplo disso é a coordenadora de jornalismo e locutora da Rádio Difusora AM, Cíntia Flávia, 29. Há 11 anos no ar, ela coleciona histórias divertidas de ouvintes que se encantam pela sua doce voz e vêm até a rádio só para conhecê-la. "Conquistamos as pessoas que nos ouvem pela simpatia e pelo carinho que temos por eles, mas aí vem a imaginação fértil de cada um e eles montam um estereótipo de locutor, que às vezes não corresponde. É engraçado", comenta.


Outra característica marcante de quem trabalha em um meio de comunicação radiofônico é a importância que passa a ter na vida dos ouvintes. "Para eles é como se você fizesse parte das suas famílias, você passa a ser alguém que eles podem contar. O locutor, de AM principalmente, tem um papel de amigo e eles sabem que a sua voz é, muitas vezes, a única capaz de chegar em quem pode ajudá-los", conta Flávia.


Rodrigo Pepeu, 25, que hoje trabalha na rádio Três Colinas, também tem histórias bacanas com ouvintes. A última aconteceu no Posto Galo Branco, quando ele estava em uma das mesas, conversando com amigos e percebeu que estava sendo observado por um grupo de pessoas. Em um dado momento, foi interrompido por uma delas, perguntando se ele era o Pepeu da rádio. "Eu estava de longe, falando com amigos e reconheceram minha voz. É muito doido isso. Você às vezes não tem ideia da dimensão que seu trabalho tem", disse.


Pepeu, como a maioria dos locutores, tem uma longa história de cumplicidade e amor com o rádio. Desde os 12 anos, quando ainda morava em Pedregulho, frequentava estúdios e foi aprendendo a fazer plástica de áudio. Hoje, é locutor e operador de áudio.


MAPA DA MINA
Caso você sonhe seguir a carreira de locutor, precisa saber da necessidade de ter registro na Delegacia Regional do Trabalho. Para isso, é necessário fazer um curso de Rádio - Setor Locução, que em Franca é realizado no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).


Quem coordena o curso é o locutor Júnior Campos, que está há 17 anos na profissão e atua em uma rádio da cidade. Segundo ele, já passaram pelas salas de aula da instituição cerca de 480 alunos em 23 turmas diferentes. O curso tem custo de R$ 1,9 mil e permite que os alunos trabalhem em emissoras de rádio, televisão, estúdios e produtoras de comerciais, rádios internas (supermercados, lojas, shopping), webradios, serviços de alto-falantes e propagandas volantes.


O piso salarial é de R$ 750. Em empresas consolidadas como o GCN Comunicação, no entanto, a média salarial supera os mil reais.