08 de julho de 2026

Construção 'importa' mão-de-obra para preencher vagas


| Tempo de leitura: 2 min
EMPREGO EM ALTA - Profissionais da construção civil trabalham em obra de um condomínio em Franca. Número de trabalhadores no setor cresceu 34% no intervalo de dois anos e dois meses

Pedreiros, serralheiros, eletricistas, gesseiros, carpinteiros e serventes. No intervalo de dois anos e dois meses (de janeiro de 2008 a março de 2010), o crescimento no número de empregados na construção civil em Franca foi o maior na macrorregião de Ribeirão Preto. Dados do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) mostram que neste intervalo a cidade teve um aumento de 34% no número de trabalhadores com carteira assinada no setor. De 1.812 funcionários no começo de 2008 para 2.428 no primeiro trimestre deste ano. Ribeirão Preto apareceu em segundo lugar com 33%, seguido de Sertãozinho, 30,5%. Não há estudos sobre a origem destes profissionais, mas responsáveis por cons-trutoras locais revelam ser comum a existência de traba-lhadores de fora de Franca como funcionários das empreiteiras contratadas para serviços na cidade.


A regional do SindusCon conta com 92 cidades. Segundo o levantamento, somente neste ano foram geradas quase cem vagas no município. O motivo apontado pelo representante do sindicato na cidade, João Cheade, é o alto número de empreendimentos em construção. Apenas de uma construtora são 15 obras de grande porte em andamento com média de 40 empregados cada. “Franca está em desenvolvimento e, com um maior número de estabelecimentos novos, surge a necessidade de contratações”.


Gerente de projetos da CV Lopes, Tainan Lopes diz que a busca por segurança habitacional, o crescimento da classe média e as facilidades de crédito são os fatores que mais contribuíram para o aquecimento da construção civil. “As construções acontecem porque existe público e com mais obras para serem realizadas, maior é a necessidade de trabalhadores. Franca passa a se tornar atrativa”, disse.


Como a demanda de vagas é maior que a oferta de mão obra local, as empreiteiras “importam” profissionais de outros estados brasileiros, principalmente do Nordeste. Bahia e Maranhão são os campeões em exportar trabalhadores pelo fato de ter mão de obra ociosa. “A cidade (Franca) sozinha não supre o total de empregos oferecidos, então é preciso trazer de fora. Caso contrário, não tem como erguer a obra”, disse o engenheiro da MRV, Antônio Alves.


A reportagem do GCN Comunicação apurou que os nordestinos vem para Franca, na maioria das vezes, sozinhos. Com salário médio de R$ 900, uma parte aluga casas e a outra vive em alojamentos. Após o término da obra, voltam para encontrar a família e esperam até serem chamados novamente para o trabalho. “É como o corte da cana e a colheita do café. Se tem emprego, eles deixam tudo e viajam para cá”, disse o mestre de obras Vandelino Figueiredo Neto, que coordena 80 trabalhadores, a maioria de fora e com idade média de 30 anos. Figueiredo esclareceu haver também trabalhadores oriundos do Piauí e de cidades do Norte de Minas Gerais, divisa com a Bahia.