11 de julho de 2026

Estresse, falta de dinheiro e drogas fazem crescer perturbação mental de francanos


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DIAGNÓSTICO - Wanderley Cintra relata que os problemas surgem em dois pontos da rede: no ambulatório, que deveria ter mais psiquiatras, e no Janjão, que não seria a rede apropriada para este tipo de atendimento de urgência

O estresse, a falta de dinheiro, a desagregação familiar e o uso de drogas estão abalando a sanidade mental de um número cada vez maior de francanos. O aumento da incidência de perturbações mentais é atestado pelo crescimento de 78% nas internações no Hospital Psiquiátrico Allan Kardec nos últimos quatro anos. Em 2009, foram 1.476 pacientes, 647 a mais que em 2006. No mesmo período, a procura por consultas com especialistas na Rede Pública de Saúde saltou de 9,7 mil para 16.269, um aumento de 67,7%.


Entre os motivos apontados por especialistas para o disparo na procura por atendimento, está o crescimento no uso de álcool, drogas e remédios para emagrecer (derivados da anfetamina). “Eles causam desequilíbrios emocionais que aumentam as chances da pessoa desenvolver quadros psicóticos, maníacos, de ansiedade e depressão graves”, disse o psiquiatra e diretor clínico do Allan Kardec, Carlos Batista.


O médico também credita parte do problema à “crise de valores” enfrentada pelas famílias atualmente. “Há uma dificuldade em respeitar normas e limites, reconhecer autoridades. O sujeito perde a noção do que é normal e acaba extrapolando”, disse ele.


Batista lembrou ainda que a falta de atendimento básico de psiquiatria faz com que o quadro dos pacientes se agrave e os leve à internação. “A existência de psicólogos nas UBSs ajuda a diagnosticar pacientes com doenças mentais. Mas, se o doente levar três, quatro meses para conseguir marcar uma consulta, o quadro se agrava e o sujeito pode sofrer um surto e passar para uma outra fase que só pode ser tratada com internação”.


O secretário municipal de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, reconhece que a equipe atual de atendimento no Ambulatório de Saúde Mental está com sua capacidade esgotada. “Esse aumento é real. Só não dá para dizer de quanto foi. Além disso, a demanda cresce normalmente com a população e temos também o atendimento de pacientes reincidentes”, disse o secretário.


Hoje, o atendimento psiquiátrico na rede pública do município conta apenas com três profissionais. Um atende a crianças e adolescentes no Naia (Núcleo de Atendimento à Infância e à Adolescência), outro no Ambulatório da Saúde Mental e o terceiro no Pronto-socorro “Dr. Janjão”. “O ideal seria termos mais três para atendimento de adultos, mas fizemos quatro concursos nos últimos dois anos e nenhum apareceu”, disse Ferreira.

Veja o quadro abaixo: