O Pão-de-Açúcar, ícone carioca, está caprichosamente pintado na parede. Ao lado, um berimbau está adornado por uma bandeira do Brasil. O estabelecimento é relativamente pequeno, com espaço para apenas três mesas baixas. Quem chega aqui pode se sentar em cadeiras convencionais, ou melhor, para quebrar um pouco o gelo, em caixas de cerveja. Estamos no Quilombo Brasil, um pedacinho da cultura brasileira em plena África do Sul.
O restaurante, bem ao estilo de um botequim, está localizado no subúrbio de Observatory, na Cidade do Cabo, movimentado por pubs e restaurantes (alguns até de de comida mexicana). Camisas de futebol do Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Atlético Paranaense, Corinthians, São Caetano e Atlético Mineiro estão penduradas nas paredes e o teto anuncia a chegada da Copa do Mundo, com bandeirolas em verde e amarelo e bolas de futebol suspensas; coisa de brasileiro. No telão passa jogo de futebol, claro.
Funk como Le Gusta, Skank, Seu Jorge, Jorge Benjor e Gal Costa saem das caixas de som do bar. É uma sensação muito boa para quem está longe de casa. Por um momento, é como se você realmente estivesse no Brasil. E, para complementar, após as 17 horas começa uma despretensiosa roda de samba.
No cardápio, para matar a saudade - a palavrinha mágica que o brasileiro adora ensinar para todo estrangeiro -, nada melhor que uma bela feijoada, com direito a arroz e torresmo do bom. Prato perfeito que custa 55 randes (R$ 13) e, cá entre nós, convenceu. Pra acompanhar, a lata de Skol geladinha custa 35 randes (R$ 8,28) - a importação é cara - ou uma caipirinha, que custa 30 randes (R$ 7,10). O suco de laranja natural, artigo raro por aqui, custa também 30 randes. Espetinhos de picanha, coração, pastéis e até ovo frito complementam a imersão gastronômica brasileira.
O idealizador disso tudo é o sul-africano Richard Michael Knight, 43, ou simplesmente Mike, o tipo de pessoa que todo mundo acha uma figura. Ele costuma ser bastante receptivo com seus clientes e não para um minuto enquanto todo mundo não estiver servido. Torcedor do São Paulo, ele até fez graça com um visitante que disse torcer para o Cruzeiro -dada a vitória do Tricolor sobre a Raposa na última quarta-feira pela Libertadores. Com uma incrível fluência em português e com habilidade no uso de gírias, Mike conversou normalmente com a reportagem. Pudera, ele morou por 20 anos no Brasil. “Era pra eu ficar por apenas seis meses lá”, afirmou.