A “morte” do satélite sino-brasileiro CBERS-2B deixa o Brasil sem um equipamento nacional para prover imagens, expondo a fragilidade de nosso programa espacial. Apesar de ter melhorado, nosso programa ainda necessita de muitos cientistas e tecnologistas - a maioria aposenta-se nos próximos anos -, de salário compatível com os cientistas classe A do governo, investimentos maciços e apoio dos políticos e da sociedade. Não custa lembrar que a parceria com a China é responsável pela entrada do Brasil no ITAR (International Traffic in Arms Regulations) e isso nos proíbe de comprar equipamentos com tecnologia de ponta nos Estados Unidos. Obviamente, temos custos aumentados, em razão disso.
Dentro dessas limitações a Agência Espacial Brasileira (AEB) faz milagres em construir o primeiro satélite controlado em três eixos, o Amazônia-1, com transferência de tecnologia argentina. Planeja o Lattes-1, satélite científico nacional, e, agora, assinou com a Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), da Argentina, acordo para desenvolver o satélite Sabia-Mar, para observar os oceanos e monitorar o Atlântico brasileiro e argentino. Isso incluirá observar a cor das águas, a exploração petrolífera, a atividade pesqueira etc. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atuará como órgão executor. Na Argentina há mais apoio para a área do que aqui.
Já expus muitas razões para se investir na área espacial, mas, agora, surge a definitiva: retorno financeiro. Um estudo feito com usuários de produtos e serviços do Centro de Previsão e Estudos Climáticos (CPTEC), do INPE, estimou ganhos maiores que R$ 230 milhões com o uso de informações meteorológicas em 2009. Esse valor equivale a mais de 7 vezes o orçamento do CPTEC/INPE, incluindo capital, custeio e pessoal. E esses números não englobam os que consultam as previsões do INPE pela imprensa nem as empresas de grande porte que utilizam as previsões em suas atividades todos os dias, como a Petrobras. Em suma, o valor para o País é inestimável.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) já havia estimado ganhos de US$ 2 bilhões por ano para a economia nacional incluindo todos os serviços meteorológicos disponibilizados pelas instituições brasileiras. Essa estimativa baseou-se nos estudos da Organização Meteorológica Mundial (OMM/ONU) que calcula os prejuízos em US$ 100 bilhões, além de 100 mil mortes.
Essa é uma área que, como muitas outras, necessita de investimentos. O INPE adquiriu nos últimos meses um novo supercomputador com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Agora, necessita investir na aquisição de dados para alimentar essa supermáquina.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista sênior do INPE e professor universitário – mariosaturno@uol.com.br