O 'Domingo Espetacular', da TV Record, vem mostrando reportagens em casas mal assombradas em outros países. Ademais, não se trata de abordagem espírita de fenômenos da espécie, porquanto a produção de TV vê sob a ótica do sobrenatural o que a Doutrina Espírita ensina como um outro lado da vida.
Segundo o Espiritismo os fenômenos das casas mal assombradas têm uma explicação racional, mas, antes que os consideremos fenômenos espirituais, devemos eliminar-lhes as hipóteses materiais. Assim, é preciso que se verifique de início, se os barulhos não são provocados por causas físicas. O vento, como se sabe, ao passar por alguma fresta, pode provocar bulício semelhante a vozes. Ratos e pássaros entocados em pequenos desvãos podem produzir vários tipos de barulhos. Também o clima pode provocar na matéria fenômenos sonoros diversos. Sabe-se que a secura e a umidade produzem contração ou dilatação na madeira e isso também provoca barulhos que podem ser confundidos com vozes ou mesmo com deslocamentos de pessoas.
Além dessas causas há, ainda, a psicológica, produzida por um ou mais moradores da casa, em especial adolescentes. Na adolescência, como há acúmulo de energia física e mental, é natural que estas energias provoquem fenômenos de efeitos físicos. Não são raros os casos nos quais adolescentes, desejando chamar a atenção dos adultos, consciente ou inconscientemente, provocam semelhantes fenômenos.
Tratando-se de causas espirituais, não se deve desprezar a mais comum: o medo que, presidindo a emoção dos circunstantes, produz, no ambiente, teor vibratório capaz de estabelecer sintonia com espíritos que, inferiores, são gozadores, brincalhões ou mesmo perturbadores.
A hipótese espiritual, todavia, só deve ser lembrada depois que as demais tenham sido eliminadas. E o que ocorre no campo espiritual? Como o Espiritismo explica tais fenômenos? Diz-nos a Doutrina Espírita que ao desencarnar, na maioria das vezes o indivíduo ignora que fez a passagem para o mundo espiritual. Por apego às coisas, permanece vinculado ao local onde viveu. Como se julga em sua inteireza, confundindo o seu ser espiritual com o corpo denso que não mais possui, pensa ainda viver na matéria. Daí a possibilidade de sua presença e movimentação serem ouvidas e até vistas por pessoas portadoras de faculdades mediúnicas. Estas afirmam, com razão, haver presenciado fenômenos conhecidos como assombrações.
Também pode ocorrer que por vingança, um espírito queira perturbar os que passaram a residir num imóvel que lhe tenha pertencido. Provocam, então e intencionalmente, fenômenos que assombram os encarnados.
Lembramo-nos, aqui, de caso acontecido em Hydesville, Nova York, em março de 1848, quando o espírito que se autodenominou Charles Rosma produziu pancadas na residência da família Fox. As meninas Kate e Margareth, filhas do casal, tiveram a coragem de conversar com o fantasma, chamando a atenção do mundo para o episódio que viria a dar início ao Espiritismo.
Não se tratava de nenhum demônio mas de um espírito desejoso de se manifestar e informar o que havia ocorrido com ele naquela mesma casa. No diálogo que então se travou, através de sinais combinados, surgiu a informação e a certeza da continuidade da vida e das implicações decorrentes da imortalidade do espírito.
Alguns anos depois, em 1854, Allan Kardec estudaria tais fenômenos e, por iniciativa dos espíritos, viria a codificar a Doutrina Espírita.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)