O clínico geral Roberto Takaoka alerta sobre o alto poder de dependência do crack e o efeito devastador que provoca, principalmente, se consumido na infância. O médico foi categórico ao afirmar que, se a pessoa não for impedida de consumir o crack, morrerá. Roberto Takaoka atuou por mais de dez anos num programa de recuperação de dependentes químicos.
Comércio da Franca - Qual o poder de dependência do crack?
Roberto Takaoka - Segundo todos estudos, a dependência do crack é praticamente imediata, diferente do álcool e cigarro que levam algum tempo. A grande maioria dos consumidores com um uso só acaba se tornando dependente. O efeito é devastador.
Comércio - O que essa droga provoca no organismo?
Roberto - O uso do crack, que é a cocaína em pedra, causa alteração pulmonar, alteração psíquica e outros tipos de comprometimentos. No final dos anos 80, quem consumia crack rapidamente morria porque usava muito por causa fissura que sente quando passa o seu efeito. Em um, dois anos, no máximo, a pessoa estava imprestável ou morta. Nos últimos 20 anos, esse perfil mudou porque estão usando o crack associado a outros tipos de drogas. Se a pessoa usar só crack com frequência, vai morrer.
Comércio - Quando a dependência começa na infância é mais prejudicial?
Roberto - Seguramente. Na criança é muito pior porque os sistemas nervoso e imunológico estão em formação e podem ser afetados.
Comércio - Como é o tratamento? Há cura para a dependência?
Roberto - Solução existe, mas é extremamente trabalhosa. Os números não são muito animadores da recuperação dessas pessoas. Depende de uma ação conjunta do poder público, da família, da escola e da sociedade de modo geral.