Tens fé? Se não a tens, como esperas enfrentar a vida? Quando tiveres filhos, inevitavelmente procurarás por ela.
Nasci em uma família fervorosa. As mulheres mais velhas eram senhoras da igreja. Rezar era hábito que eu ouvia toda noite ao me deitar no mesmo quarto que minha avó Lydia e esperava o meu sono chegar ouvindo ela sussurrar orações. Era quase como contar carneirinhos; rapidinho o sono me embalava.
Cresci e por exigência dos meus pais participei de catecismo, grupo de jovens, crisma. Confesso que, mais por exigência que gosto. Nessa época da vida os nossos tropeços são quase sempre socorridos pelos nossos pais e na adolescência a crença é mais na própria onipotência que em Deus.
Crescendo mais ainda, senti a necessidade de colocar o poder nas orações. Quanto mais “velhos” ficamos, mais a percepção da nossa insignificância diante do Universo faz com que busquemos uma força Divina que nos ajude a enfrentar o dia a dia. Passamos por perdas, conflitos, inseguranças,angustias; se não tivermos fé, a realidade fica insuportável e traz desespero. Claro que crianças e jovens também enfrentam situações doloridas, mas a diferença é que na maturidade fica escancarado o peso e a conseqüência do acontecido. Nada de contos de fadas, nem de heróis superpoderosos.
Com a chegada dos filhos, se não sabemos, aprendemos a rezar. Rezamos para que Deus nos abençoe a todo momento. Parece que nos tornamos devotos e, na nossa ausência, pedimos para que os anjos os acompanhem. Uns tem fé em Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora Aparecida, São José e outros. Na realidade inúmeros santos podem acompanhar o filho da gente quando nossas forças não alcançam mais.
Minha filha mais velha tirou carteira de habilitação. Natural e angustiante, pois passa um filme na minha cabeça de todas as contravenções feitas por mim nessa época. Eu me achava super e meus pais nem sonhavam com o que eu era capaz de fazer. Acho que foram os anjos e santos enviados a pedido de minha mãe que me protegeram em alguns episódios. Agora estou eu, do lado de cá, convocando a Deus que acompanhe minhas filhas nos caminhos escolhidos por elas.
Bendita seja a fé!!! Fechar os olhos para dormir com o filho na rua , ainda por cima “motorizado”, Senhor Jesus... Deus toma conta! O que fazer?
Se antes não me preocupava com o mundo, hoje peço a Deus que esteja presente reservando um futuro melhor. Dessa maneira, diariamente vou redimensionando tudo aquilo que presenciei quando criança, com minhas tias e avós; na época não havia entendido.
E lá vou eu; por caminhos já trilhados e s ó agora compreendidos. Desocupo os trilhos, pois o trem da história vai passar... não mais da minha história, mas sim de minhas filhas, onde sou mais um personagem, que fica em casa sussurrando orações para que o caminho seja florido. Amém.
Heloísa Bittar Gimenes
Psicóloga