08 de julho de 2026

Vou-me embora pro passado


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(parapoemando Manuel Bandeira)


Vou-me embora pro passado
Lá  ainda não tem "blu-ray"
Só vídeo-cassete duas cabeças
Que por consórcio comprei
Vou-me embora pro passado
Vou-me embora pro passado
Aqui já sou obsoleto
Lá, viver é uma aventura
Ao vivo, na pele, não pela lente
De um frio computador
Dor dói, gente sente
Gente sofre, gente é gente
Chora tristeza, sorri humor
E pra acessar amigos
Nada de Orkut, Facebook
Basta-me o coração
E eles são poucos, "gatos pingados"
Jamais a milhares chegarão,
Quem dirá a milhão
Mas deles sei tudo
Sei cheiros, defeitos
Apanho-os com a mão
Sei onde moram
Moram no meu passado
Pra onde vou agora
Procurar meu futuro são

 

Paulo Rubens Gimenes
Publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca