08 de julho de 2026

Silêncio que perturba


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As duas denúncias envolvendo extorsão e enriquecimento ilícito que atingem o delegado Wanir José da Silveira Júnior, um dos mais conhecidos da Polícia Civil na região, traz à baila uma prática muito usada e que cerceia a liberdade de imprensa e o direito à informação ao cidadão comum.


Na primeira denúncia, que vem sendo investigada pelo Ministério Público, ele é acusado de extorquir, junto com colegas da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, pessoas envolvidas com desmanche de veículos e comercialização de CDs e DVDs piratas, de acordo com inquérito aberto em maio de 2008 pela Corregedoria da Polícia Civil (o processo, inclusive, deve ser arquivado). O segundo caso coloca o delegado como réu em um processo criminal a partir de denúncia feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) em setembro de 2008. Wanir teria agido junto com o advogado Raimundo Alberto Noronha para extorquir um comerciante suspeito de ser o mandante de um roubo de carga. Para não ser preso, ele teria pagado R$ 115 mil para o advogado.


São denúncias sérias e que abalam a reputação (até então considerada inquestionável) do delegado. É inquietante que os dois processos fiquem envoltos em um véu de silêncio, pois os promotores não permitem que a imprensa tome conhecimento dos detalhes. Assim, a população também não tem condições de conhecer a fundo as suspeitas que pairam sobre Wanir José da Silveira Júnior, um delegado que se destacou durante seus 20 anos de atuação na solução de crimes em Franca e região.


Ao impedir que se conheça a íntegra das investigações, os promotores dificultam também o entendimento sobre todo o processo. Uma das perguntas frequentes sobre um dos casos é se as investigações se pautaram apenas pela denúncia feita por Marcelo Henrique Rodrigues, preso no CDP de Ribeirão Preto, acusado em 45 processos de estelionato e furto. Ao que parece, há só as informações deste marginal contra o delegado. Se há mais elementos que sustentem as suspeitas, não foram revelados.


Em qualquer situação, o silêncio serve apenas para dar margem a boatos, sem permitir que se lance uma luz sobre o caso. E, além de impedir a população de saber exatamente o que se investiga, prejudica também o trabalho dos próprios promotores, que pode ser colocado em xeque.