Wanir José da Silveira Júnior, 44, atua há 20 anos como policial. Em Franca, trabalhou na Dise, DIG, Centro de Inteligência da Polícia Civil e comandou o GOE (Grupo de Operações Especiais). Em março do ano passado, foi promovido e assumiu a Delegacia Seccional de Barretos. No dia 15 de janeiro deste ano, após passar por São Carlos, assumiu a seccional de Ribeirão Preto. Na tarde de ontem, uma semana após pedir afastamento do cargo, ele recebeu o GCN Comunicação e falou pela primeira vez sobre o complexo caso. Afirmou que as acusações não têm relação com a sua licença. “Me afastei por causa de problemas de saúde. Fui ao médico e ele me deu um diagnóstico de estresse profundo. Se eu continuasse no mesmo pique de trabalho, a situação poderia se agravar. Tirei 15 dias de férias e mais 30 de licença-prêmio. Depois, voltarei como assistente na seccional de Barretos. O cargo é mais leve e com menos cobrança”.
Para Wanir, as acusações seriam fruto de armações de pessoas que não gostam dele por causa do trabalho firme que desenvolve como delegado. Ele disse que as investigações foram abertas antes de sua promoção a seccional e que os casos eram de conhecimento da chefia da Polícia Civil desde o começo. Sobre o processo em que foi acusado de receber dinheiro de donos de desmanches e de vendedores de produtos pirateados, lamentou o fato de o Ministério Público ter levado adiante afirmações feitas por um criminoso que está preso e respondendo a 45 processos. “Fico triste em saber que pessoas que detêm poder de autoridade acreditem nestas histórias. Já provamos que é tudo mentira. Quando as denúncias foram feitas, eu ainda era delegado em Franca e fui galgado a seccional depois, mesmo com o caso estando na corregedoria. Na oportunidade, o corregedor disse ao doutor Rafael (Rafael Rabinovici, ex-diretor do Deinter-3) que as acusações não levariam a nada”.
O delegado também negou que tenha participado de acordo com o advogado Raimundo Noronha para deixar de prender o homem acusado de envolvimento com o roubo de couro. “Um dos assaltantes disse que a pessoa seria um dos autores. Por isto, fiz o pedido de prisão de todos. Dentro do inquérito policial, cuja documentação está à disposição de todos, inclusive do Gaeco, ficou comprovado que a pessoa havia receptado. Neste tipo de crime não cabe a prisão temporária. Se foi feito algum tipo de acerto com a firma, desconheço e não tive participação nenhuma. Aliás, neste procedimento, em momento algum fala-se que eu forcei alguém a fazer alguma coisa”.
Wanir disse ter estranhado o fato de a denúncia de extorsão ter sido feita três anos após o suposto acerto. “Se alguém foi vítima de alguma autoridade dentro da delegacia, porque vai deixar passar três anos para fazer uma denúncia anônima? É por que nunca houve nada”.
O delegado afirmou viver do que ganha e que seu patrimônio é compatível com o salário. “Tenho uma casa no Parque Progresso avaliada em R$ 120 mil e um Fiat Strada 2006 financiado”. Wanir está confiante na absolvição e afirmou que as acusações não vão fazer com que deixe de ser o policial combativo que sempre foi. “Sou um guerreiro e não nasci para ficar debaixo da árvore. Nasci para a guerra, para a guerra de combater o bandido e o crime. É triste ver o nome da gente ser levado por causa de denúncias falsas. O dia em que vocês me virem em um caixão, parei de trabalhar. Antes disto, não”.