08 de julho de 2026

A hora do leite


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Fartura, Melodia, Caixeta, Dengosa, Realista, Cachoeira, Ervilha e Gafieira. Um time de vacas da raça Gir ganhou torcida pessoal na tarde de ontem, na abertura do Torneio Leiteiro da 41ª edição da Expoagro (Exposição Agropecuária de Franca). O evento que movimentou criadores e tratadores e também envolveu animais da raça Girolando, segue até sexta-feira e definirá qual vaca dá mais leite. Ao todo, serão dez ordenhas com intervalos de oito horas. O proprietário do animal campeão leva para casa uma moto zero quilômetro.


Cercado de cuidados especiais, o torneio começou pontualmente. De um lado, as vacas Gir tiveram a ordenha manual. No espaço vizinho, a retirada do leite do gado Girolando foi feita por máquinas. Dentro do barracão, o mínimo de pessoas possível. Movimentos bruscos, então, nem pensar. Para não estressar as vacas, o fotógrafo do Comércio precisou, inclusive, deixar de usar o flash durante a ordenha.


Baldes de cabeça para baixo. É autorizado o começo dos trabalhos. A primeira bateria dura 15 minutos. No corredor do curral improvisado dentro do Parque de Exposições “Fernando Costa”, apenas os fiscais de provas, os tratadores e o proprietário ou representante do animal. “A gente precisa acompanhar de perto para evitar fraudes. Na pesagem, uma grama de leite faz a diferença”, disse o criador Leonídio Ferreira Gomes, de Alexânia (GO). No torneio, ele competirá com quatro vacas. “Participar de um torneio como este deixa a vaca mais conhecida e valorizada”, justificou Leonídio, conhecido entre os pecuaristas como Léo Ferreira.


Para concorrer ao título, a preparação de muitos animais começou até um mês antes. Alimentação balanceada, pelo cuidado, tratador exclusivo e se tiver calor, até ventilador para manter a temperatura do corpo. “Tem gente por conta das vacas 24 horas e como numa exposição há muita interferência de barulho, movimentação, além do estresse da viagem, é preciso fazer de tudo para deixar o animal bem à vontade”, disse Adriano Okano, criador de Ituverava. Segundo Okano, um dos seus animais foi vencedor na competição no ano passado.


Zootecnista e técnico de apoio à pesquisa da ABC Gir (Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro), Saul Borges disse que os criadores participantes têm se aperfeiçoado a cada torneio, pois a competição agrega valor de mercado aos animais. “O torneio é uma ferramenta para avaliar a produção, selecionar as melhores vacas e, logicamente, a vencedora de eventos de peso como o de Franca acaba valorizada”, disse.


Dividido em três categorias (fêmea jovem, vaca jovem e vaca adulta), o torneio premiará ao final das dez pesagens - a produção é calculada por quilo - a vaca que atingir a maior quantidade de leite. O resultado será apresentado na sexta-feira, às 14 horas, após o cálculo da média de nove ordenhas. Pela regra do torneio, a melhor ordenha de cada animal é desconsiderada na somatória final.


Além de prêmios para os proprietários dos animais, o torneio leiteiro também fornece R$ 1 mil para ser dividido entre os tratadores das primeiras colocadas. O leite retirado nos quatro dias da competição será analisado pela empresa Jussara, que repassará o produto beneficiado para o Fundo Social de Solidariedade de Franca.