O governo federal pretende encabeçar uma ampla campanha de combate ao tráfico de drogas e, principalmente, contra o consumo do crack, que vem criando uma legião de viciados. O quadro, já sério, assume contornos ainda mais graves ao se constatar que crianças de 8 a 10 anos já são consumidoras. Pais e educadores têm se mostrados alarmados com essa progressiva redução na faixa etária do público consumidor desta que é uma droga altamente viciante e de preço baixo.
Durante audiência pública realizada pela Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, no Congresso Nacional, na semana passada, foram apresentados dados estarrecedores. Segundo o psiquiatra Pablo Roig, especialista no tratamento de dependentes, o número de usuários de crack hoje no Brasil está em torno de 1,2 milhão. Roig acrescenta que a idade média para início do uso da droga é de 13 anos. A ausência de estatísticas oficiais e de repasse de verbas do governo federal para os centros de recuperação de usuários de drogas são os principais entraves no combate ao crack, na opinião de diversas autoridades que participaram da mesma audiência.
Governo federal e entidades como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) agora já trabalham para reduzir a dependência e o tráfico de crack por meio de campanhas nacionais. A partir do momento em que crianças, adolescentes e jovens mulheres grávidas tornam-se os principais consumidores, percebe-se que o avanço do crack no País foi subestimado nas duas últimas décadas, não merecendo a atenção necessária. Agora traficantes passaram a utilizar garotos cada vez mais novos como soldados do tráfico, contando com as leis brasileiras que protegem crianças e adolescentes. Leis que acabam beneficiando também os bandidos graúdos que se escondem atrás de menores para fugir da Justiça.
Por outro lado, a dificuldade para se acabar com a prostituição infantil (que cresceu ao mesmo tempo em que o consumo da droga passou a ser grande entre meninas de 10 a 15 anos) passa pela facilidade com que o tráfico consegue colocar o crack nas ruas. Nos grandes centros, meninas recorrem à prostituição para conseguir manter o vício. Um retrato aterrador do avanço desta droga perigosa, que já conseguiu destruir e acabar com o sonho de vários núcleos familiares. Espera-se que, a partir de agora, as campanhas de conscientização para os perigos da substância surtam efeitos, ao mesmo tempo em que as autoridades policiais trabalhem com afinco no sentido de barrar, ainda em nossas fronteiras, a entrada da cocaína, da qual o crack é subproduto. Esta droga barata e de poder viciante aterrador vem corrompendo a sanidade de mais de um milhão de brasileiros.