Visão embaçada, sensação de areia, dor, ardor e vermelhidão nos olhos. A baixa umidade relativa do ar registrada nos últimos dias em Franca associada ao vento e baixas temperaturas, não desencadeia apenas alergias respiratórias. Doenças nos olhos, especialmente conjuntivites, têm castigado pacientes, inclusive crianças, nas últimas semanas. A incidência dessas doenças aumentou e os reflexos já são sentidos nos consultórios médicos. A exemplo dos anos anteriores, os casos devem se tornar ainda mais comuns com a chegada da próxima estação, a partir de 21 de junho, quando começa o inverno.
No consultório do oftalmologista Plínio Murta, os casos estão 30% acima da média registrada em meses anteriores. O especialista tem recebido 15 novos pacientes por semana com conjuntivites e síndrome do olho seco, que provoca ressecamento nos olhos por problemas na lágrima. “Toda pessoa que tiver sintomas como ardor e irritação deve procurar um médico para avaliar o caso”, disse Plínio.
Os atendimentos da médica Raquel Liporoni não estão muito diferentes. As consultas a pessoas com conjuntivites aumentaram 40% nos últimos dias. “Com a queda da temperatura e diminuição da umidade, o olho fica mais vulnerável a adquirir conjuntivites, que podem ser alérgicas ou infecciosas, causadas por bactérias ou vírus. Elas podem ocorrer o ano todo, mas com mudanças no tempo são mais prevalecentes”, disse Raquel.
A oftalmologista Márcia Spessoto não tem estatísticas dos atendimentos a pacientes com esses problemas, mas disse que a demanda aumentou nos últimos 15 dias e deve ser ainda maior em junho e julho, meses mais frios. Num consultório do Centro, as ocorrências dobraram. De duas consultas por dia de conjuntivite, passaram a ser agendadas quatro.
As conjuntivites alérgicas são causadas por pólens e ácaros que se acumulam em cobertores, casacos de lã, bichos de pelúcia e outros objetos. A síndrome do olho seco costuma ser desencadeada pela queda da umidade, que deixa a lágrima mais instável. A médica Márcia Spessoto disse que com a umidade do ar baixa, as partículas no ar ficam em suspensão e o contato maior com elas desencadeia os problemas. As conjuntivites causadas por bactérias e vírus são transmissíveis. Outro alerta feito pelos especialistas é quanto à evolução das doenças oculares que podem lesar a córnea causando baixa permanente da visão.