O número de famílias ricas em Franca diminuiu. Em um ano, 400 famílias deixaram de ter padrão de vida considerado de classe A, revela levantamento da IPC Marketing Editora, divulgado na semana passada. Até 2009, eram 4.903 famílias com renda média superior a R$ 9.850 mensais (classes A1 e A2). Passado um ano, este total não passa de 4,5 mil famílias. Apesar do encolhimento da massa rica, o potencial de consumo desta faixa social está maior. A previsão de gastos para este ano chega a R$ 821 milhões, volume 29% superior ao registrado em 2009.
O crescimento do consumo por parte das famílias ricas tem provocado um novo fenômeno na economia local. Lojas que tradicionalmente não imaginavam trabalhar com este tipo de público-alvo estão mudando de perfil para garantir uma fatia do bolo de consumo dos classe A. “O estudo do IPC mostra que Franca tem público para produtos diferenciados e mais caros, o que falta são investidores para o setor. Ainda há muita carência no mercado de luxo da cidade”, disse o coordenador do levantamento, Marcos Pazzini.
Para suprir essa carência, concessionárias, condomínios, lojas e restaurantes voltados para essa clientela vem crescendo. O decorador Fabiano Corrêa diz que, anteriormente, precisava viajar para Ribeirão Preto e Campinas em busca de acessórios, tapetes, mobiliários e outros objetos de decoração, pois Franca não atendia as exigências dos seus clientes. “Hoje já é possível encontrar tudo aqui na cidade, desde a parte de acabamento até móveis. Além disso, houve mudança no perfil dos consumidores”. Até três anos, o profissional atendia em média 30 clientes ao ano com potencial de executar um projeto top de decoração que custa em torno de R$ 500 mil. Atualmente, o número de clientes com esse poder de consumo subiu para 45 anuais.
Inaugurada no ano passado, a concessionária Citroen se instalou em Franca em razão da pujança local e hoje vende em média 30 carros por mês, alguns chegam a custar até R$ 140 mil. Para a gerente Marlene Rosa Tomain, o volume pode ser ainda maior se considerar o aumento da riqueza na cidade. “O mercado está aquecido, basta perceber o número de carros importados circulando”.
Proprietário da Villa dos Móveis, Paulo Mey de Rezende Filho também está de olho neste público. Há dois meses, ele criou um pavimento em sua loja voltado exclusivamente para o mercado de luxo. O espaço vip oferece atendimento e decoração diferenciada e os mesmos produtos, segundo ele, encontrados nos grandes centros comerciais. Batizada de Villa dos Móveis Design, a área tem 650 metros quadros e oferece o que há de mais sofisticado em móveis, como uma sala de jantar redonda - de 1,50 metro de diâmetro, em laca preta com cristal preto e oito cadeiras com laca preta e tecido de seda importada - vendida por mais de R$14 mil. Mesmo considerado de alto padrão, o empresário diz vender em média cinco unidades do móvel por ano. “Temos um atendimento mais caloroso e especializado, que tem colaborado para os bons resultados que alcançamos”, disse Paulo Mey.