A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo ainda trabalha no caso do policial preso em flagrante na noite de quinta-feira, acusado de cobrar para não cumprir mandado de prisão. O delegado corregedor Leonardo Isper Nassif Balbim informou que o inquérito deve ser concluído num prazo máximo de dez dias. “Nesse período ainda há algumas diligências a serem feitas, mas acredito que nada deve alterar o panorama que já foi tratado. Em princípio, não há perspectiva de outras prisões”, disse o corregedor.
Balbim, que na noite da prisão havia revelado apenas o primeiro nome do policial - Carlos -, ontem, divulgou as iniciais e a idade dele: CAAF, 42. O corregedor também confirmou a transferência do servidor para o presídio da Polícia Civil, na capital paulista, onde ele continuava preso até o fim da tarde de sexta-feira. A advogada de defesa do policial, Sanaa Chahoud, foi procurada pela reportagem, mas se negou a dar declarações sobre o caso.
Carlos fazia parte da equipe de investigação do 2º Distrito Policial, mas sua função original é de agente policial. Perguntado se suspeitava do comportamento do funcionário, o delegado João Walter Tostes, titular da unidade, disse não saber de nada. “Assumi a titularidade do DP no último dia 27 e ainda não tive oportunidade de me inteirar sobre tudo”, disse ele. Tostes também lamentou a redução do efetivo da delegacia sob seu comando. “Com seu afastamento, ficamos com apenas três pessoas na investigação”.
A PRISÃO
Carlos foi preso em flagrante na noite da última quinta-feira e indiciado pela corregedoria da polícia pela prática de concussão - ato de exigir para si ou terceiros dinheiro ou vantagem indevida em razão de sua função. Ele é acusado de exigir o pagamento de R$ 1 mil para não cumprir um mandado de prisão contra um comerciante, dono de um estacionamento na Avenida Dr. Hélio Palermo, que devia R$ 8 mil em pagamentos de pensão alimentícia atrasados.
Segundo Balbim, a investigação da corregedoria teve início através de uma denúncia anônima. “Não temos informações sobre o envolvimento do acusado em nenhum outro crime e também não apareceram outras vítimas”, disse o delegado corregedor. Entre as provas contra o agente estão a comprovação da compensação na conta de Carlos do cheque passado pela vítima para o pagamento da propina, além dos depoimentos do próprio comerciante e de testemunhas.
No final da tarde de quinta-feira, a Polícia Civil de Franca cumpriu o mandado de prisão contra a vítima, que foi levada para a Cadeia Pública de Franca após ser ouvida pelos membros da corregedoria.