Jean de la Fontaine nasceu em 1621, em Chateau-Thierry, região da Champagne. Recebeu educação religiosa, a ponto de pensar em se ordenar. Mudou de idéia aos 17 anos e foi estudar leis. Não seguiu carreira porque detestava a vida de disciplina que todo trabalho do tipo condiciona. Casou-se com uma moça de 14 anos, Marie Hericart, em 1647, submetendo-se à vontade do pai. Teve um filho,Charles. Em 1652 substituiu o pai no cargo de inspetor de águas. Pouco depois ficou a serviço do ministro das finanças do rei, Nicolas Fouquet, mecenas que reconheceu seus dotes literários e o incentivou. Caindo em desgraça Fouquet, La Fontaine buscou o salão da Duquesa de Orléans, onde em 1665 publicou Os amores de Psique e Cupido. Só em 1668, tomando como modelos os textos de Fedro e de Esopo, compôs os seis primeiros livros de Fábulas reunidas. O gênero, que alcançou sucesso retumbante, seria retomado em 1678 e 1693, com duas outras coletâneas. Protegido sucessivamente por Madame de la Sablière e Madame d’Hervat, no palácio de quem terminou seus dias, La Fontaine pertenceu ao poderoso grupo de escritores que constituiu o “século de Luís XIV”, também conhecido como “a idade de ouro da literatura francesa”. Esteve próximo de Molière e de Racine. Tomou partido na famosa Querela dos Antigos e Modernos, a favor dos primeiros. Em 1684, admitido na Academia Francesa, fez seu discurso de posse onde se descreveu em versos como “Papillon du Parnasse”, Borboleta do Parnasso.
No ano em que morreu, 1695, deixou registrado seu conceito de fábula. “É uma pintura em que podemos reconhecer nosso próprio retrato”