O senador Romeu Tuma (PTB), relator da CPI da Pedofilia, esteve em Franca ontem para levantar informações sobre as acusações de abuso sexual contra o padre José Afonso Dé, 74. O vigário foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça no fim do mês passado pelos crimes de estupro de vulnerável (no caso dos menores de 14 anos) e violação sexual mediante fraude (para as supostas vítimas acima de 14 anos). Tuma acredita que até a próxima terça-feira deve terminar o relatório que entregará à CPI e que deve ser realizada uma acareação entre o padre e os jovens que fizeram as acusações contra ele.
O senador chegou à cidade, vindo da capital paulista, às 15h30, acompanhado de um delegado da Polícia Federal, um assessor e do amigo empresário francano Toni Salloum. Foi direto à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), onde conversou por cerca de 40 minutos com a delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio e, em seguida, teve um rápido encontro com o promotor de Justiça José Lourenço Alves, da 2ª Vara Criminal, no Fórum de Franca. “O inquérito está bem feito e há um grande entrosamento entre a delegada e o promotor, tanto que ele aceitou integralmente o inquérito e fez a denúncia baseada nas apurações dela”, disse o senador.
Nos próximos dias, Tuma deve se reunir com promotores e delegados assistentes da CPI para traçar a linha de investigação a ser seguida pela comissão. “Até terça-feira devo concluir meu relatório preliminar a partir das informações do inquérito e de todos os dados que fornecidos pelas autoridades locais para concluir se o padre deve ser ouvido novamente. Eu acho que sim e acho que deve haver uma acareação”, disse ele.
Segundo Tuma, além das testemunhas e vítimas ouvidas pela delegada no inquérito, a CPI deve apurar também denúncias de supostos abusos praticados contra meninos em outros Estados e que estariam fora do alcance da delegacia de Franca. “A comissão não pode deixar o fato restrito ao que já foi apurado. Vou pegar os depoimentos para saber das cidades aonde eles sofreram os abusos e que ela não pôde enquadrá-los. A gente deve ir atrás para buscar a verdade sobre o comportamento, a vida paroquial do padre”, disse o senador.
Quanto às acusações de pedofilia que pesam contra padre Dé, o senador acredita serem agravadas por se tratar de um religioso. “O padre (que se envolve com pedofilia) é um criminoso. Trai a Deus e as pessoas porque ele pratica um crime se servindo da batina. Eu se fosse juiz dobrava a pena dele”, afirmou Tuma.
O senador disse também que, ainda na noite de ontem, tentaria entrar em contato com o bispo diocesano de Franca Dom Pedro Luiz Stringhini e com o juiz da 2ª Vara Criminal de Franca, Wagner Carvalho Lima. O contato, no entanto, não foi confirmado pela reportagem.
A data e o local da audiência ainda não foram definidos.