Amigos e fiéis do padre José Afonso Dé, 75, se reuniram na tarde de ontem, na Igreja São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical, para participar de uma missa de apoio ao religioso. A celebração, às 15 horas, foi presidida pelo padre Idair Perina que, em diversos momentos, citou o nome do sacerdote. O padre foi denunciado à Justiça por estupro de vulnerável e ato libidinoso com fraude contra menores entre 12 e 16 anos.
Apesar de a igreja não ter ficado lotada, os fiéis presentes, a maioria mulheres, rezaram com fervor e demonstraram estar inconformados com as acusações feitas ao padre Dé. A reportagem abordou um grupo de dez senhoras, mas nenhuma quis dar entrevistas. Incomodadas com a presença da imprensa, três mulheres chegaram a atacar a equipe. “Vocês não têm o que fazer”, disse uma delas. Uma funcionária da igreja chegou a dar um tapa na lente da câmera do fotógrafo.
Na porta da igreja onde padre Dé atuava até ser afastado pelo bispo diocesano Dom Pedro Luiz Stringhini em março, uma churrasqueira reunia cinzas dos pedidos de intenções. Em um papel, que não estava totalmente queimado, os dizeres pediam pela “libertação do padre Dé”.
Segundo o padre Idair Perina, a missa de ontem ocorre normalmente todas as quintas-feiras e os pedidos de intenções são livres. “Os fiéis pediram pelo padre Dé e nós rezamos, mas não somente para ele. Rezamos também pelo papa, pelo dia de Nossa Senhora de Fátima e pelo Congresso Eucarístico em Brasília”, disse o sacerdote. Padre Dé não esteve presente.