Pela ordem de qualidade estabelecida pelo Instituto Trata Brasil, Franca perdeu a primeira colocação no quesito de melhor serviço de saneamento básico do País. Agora atrás da também paulista cidade de Jundiaí, um dos maiores orgulhos de Franca (abastecimento de água e tratamento de esgoto, entre outros) recebe um banho de água fria ao ver o fim de cerca de uma década de louros. A redução de cerca de 30% dos investimentos da Sabesp na cidade, na contramão das expectativas do crescimento local, refletiu negativamente na qualificação. A estatal é considerada, em número de clientes atendidos, uma das maiores empresas de saneamento básico do mundo. Mas, ao que parece, vem perdendo terreno em seu próprio estado para as companhias similares de atuação municipal e até para as privadas.
Com base nos dados divulgados pelo Instituto (uma organização de transparência pública de atuação nacional e autorizada pelo Ministério da Justiça), fica fácil perceber que os investimentos estaduais na área de saneamento básico caminharam em direção oposta à iniciativa privada. Das dez melhores colocadas no ranking - e aí se insere a vizinha cidade de Ribeirão Preto que passou da 19ª para a 6ª posição - as únicas que obtiveram crescimento significativo na questão de saneamento básico foram cidades que mantêm contratos firmados com a iniciativa privada ou com atuação mista desta somada aos investimentos municipais. A imensa maioria dos demais municípios derrocou suas privilegiadas posições na medida em que receberam menores investimentos.
Mais importante que uma certa frustração de ver um dos maiores orgulhos francanos depreciados pela redução nos investimentos públicos é a sempre preocupante questão da saúde. Tudo o que diz respeito à saneamento básico tem enorme impacto sobre a saúde da população. No momento em que a cidade vem apresentando constantes recordes de crescimento populacional e empresarial, seria de se esperar expansão em outros segmentos de serviço, como estes relativos à água. Reduzir investimentos neste momento, quando o natural seria exatamente o contrário, pode significar decréscimo na qualidade o do serviço.
Se essa não é uma boa notícia para o orgulho local, pois torna-se desagradável ver a cidade rebaixada num ranking onde pontificou por muitos anos, a questão que resta embutida preocupa, pois enseja uma leitura no âmbito da saúde da população. De acordo com o andar da carruagem, será que poderemos continuar a beber água direto da torneira, como faz grande parte da população hoje em dia? Tendo por base o contrato de três décadas firmado com a estatal, o que se pode deduzir é que se nada for feito contrariamente a essa tendência, corremos o risco de ir por água abaixo no anseio saudável de continuar vivendo numa cidade onde o saneamento básico mereceu nota máxima desde há pelo menos dez anos.