09 de julho de 2026

Casebres de zinco e bairros luxuosos formam Cidade do Cabo


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CIDADE DO CABO, TERRA DE BELEZAS - Vista aérea do Estádio Green Point, construído para abrigar jogos da Copa do Mundo de 2010. Projeto custou R$ 4,5 milhões e foi construíndo onde havia campos de golfe. A arena tem cobertura retrátil e será a casa dos tim

A partir de agora o GCN Comunicação está na África do Sul para cobrir a Copa do Mundo. E o primeiro ponto de parada é Cidade do Cabo, onde vão jogar as seleções de França, Itália, Portugal e Coreia do Norte (esses dois últimos países estão no Grupo G, do Brasil).


O cenário é assim: meninos negros jogam futebol em um campo de terra batida, com uma rede furada e os pés descalços. Bem ao lado, uma importante rodovia, a N2, pela qual passam carros de luxo e turistas rumo à Cidade do Cabo. Do outro lado, um conglomerado de casebres de zinco chamados por aqui de shacks. Estas residências pobres formam a Guguletu - uma grande favela brasileira totalmente cercada por ripas de madeira.


Um pouco mais adiante, outra realidade. Amplos e bem cuidados campos de golfe são quintais de ostensivas residências avarandadas. São o primeiro vestígio de uma paisagem que vai mudando aos poucos, conforme se aproxima da Cidade do Cabo.


Esta descrição pode ser considerada um simulacro da verdade sul-africana. Não é novidade para ninguém que a África do Sul, assim como o Brasil, é um país de desigualdades. Entretanto, por aqui o luxo e a miséria “coexistem” em universos bem mais diferentes e distantes, situação resultante dos anos do apartheid - separação, em africâner.


A Cidade do Cabo é realmente um presente aos olhos de qualquer visitante. Não é em vão que é considerada uma das seis cidades mais belas do mundo, segundo o Guinness Book. As montanhas, incluindo a Table Mountain, os belos hotéis cinco estrelas, o acabamento refinado das casas, a ausência de lixo nas ruas, as cafeterias, a gastronomia cosmopolita, as winelands (caminho do vinho), a Waterfront (porto na Cidade do Cabo, onde há hotéis de alto luxo), tudo faz parte das belezas da cidade.


Em bairros de classe média alta como Rondebosch, onde a reportagem está locada, os portões eletrônicos são baixos, a pintura  das casas é discreta e as fachadas arborizadas. Ruas sem buracos, belos carros, shoppings centers, pubs e agradáveis parques atraem gente do mundo inteiro.


Porém todo esse triunfo urbanístico esconde agruras. O conforto dos brancos é resultante da submissão da raça negra, que ainda ocupa os postos de trabalho menos valorizados. A principal recomendação de segurança por aqui é não andar sozinho pelas ruas após as 18 horas. Saiba mais da cobertura no Blog da Copa (comercionacopa.wordpress.com/).