20 de abril de 2026

A morte de Alberto Ferrante Filho, referência de caridade em Franca


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Morreu no dia 31 de janeiro o prestante e conhecido cidadão francano Alberto Ferrante Filho, ex-industrial de calçados e referência de doação integral aos menos favorecidos, presidente que foi, por mais de 52 anos, do Culto de Assistência Espírita Alberto Ferrante, em Franca.
 
Tinha 84 anos e convivia com quadros de hipertensão e diabetes controlados. Estava em sua casa quando morreu acometido por súbita parada cardiorrespiratória, sem tempo para qualquer providência médica conforme relatou ao Comércio seu filho Alberto Ferrante Neto, neurologista. 
 
Alberto Filho era filho do pintor Alberto Ferrante e de Ana, irmão de Ruth, Maria Édera, Lourdes, Elza, Emília e Teresa. Deixa viúva Aparecida Liporoni Ferrante após 62 anos de casamento. O casal teve 4 filhos (Ana Lívia, casada com Máximo Cassis; Alba Regina, casada com Marcos Wilson Ferreira, Alberto Ferrante Neto, casado com Ana Teresa; Ângela, casada com Almério Mião), 8 netos (Domingos, casado com Maria Lúcia; Ricardo, casado com Juliana; Gustavo, Lídice, casada com Marcelo Matias dos Santos; Rodrigo, Aline, casada com Nuno Gomes; Larissa e Aluísio) e 3 bisnetos (Fernando, Felipe e Astrid).
 
De tradicional família francana, Alberto dedicou-se à pratica esportiva em sua adolescência e juventude. Gostava de futebol e viveu boa fase jogando pelo Palmeiras, da Rua Santos Pereira, em época na qual a equipe dedicava-se a importantes campeonatos regionais. Empregou-se em indústria de calçados e tomou gosto pela fabricação, tornando-se empresário. Abriu Calçados Ferrante para produzir calçados femininos na terra dos calçados masculinos. O primeiro endereço foi a Avenida Brasil. A empresa cresceu e Alberto passou a trabalhar também com calçados masculinos transferindo toda a operação para imóvel na rua Marechal Caxias. Foi industrial até sua aposentadoria, ocasião em que se desfez da empresa. 
 
Paralelamente, dava asas a uma incontida vontade para auxiliar gente necessitada. Deu empregos a muitos apenas para poder auxiliar na recuperação de histórias de vida. Iniciava assim, quase sem perceber, a vocação caridosa que viria a ser a mais importante marca de sua vida. Houve um fato iniciador, segundo contou ao Comércio o filho e médico Alberto Neto: "Quando minha avó paterna ficou viúva de meu avô, passou a pedir à família que a levasse até o médium uberabense Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Meu pai, em um certo dia, fez a vontade de sua mãe. Lá, o médium psicografou mensagem de meu avô, Alberto Ferrante, um texto lindo, de grande conforto para a família. Meu pai, emocionado, decidiu-se ali mesmo por dar à sua vida uma nova trajetória: a caridade". 
 
Voltando a Franca, Ana e Alberto passaram a utilizar a casa dela, na Rua Afonso Pena, bairro Cidade Nova, para preparar alimentação a necessitados. A quantidade de carentes que apareceu impressionou vizinhos. À vista das circunstâncias transferiram a atividade para a rua Oswaldo Cruz e lá realizaram a ampliação de serviços que se fazia necessária, dando origem ao Culto de Assistência Espírita Alberto Ferrante, Alberto Filho na presidência. À inauguração compareceu o próprio Chico Xavier.
 
Mais tarde abriram uma extensão da ação no Jardim Centenário – a Casa da Prece –, com sopa diária e atividades espíritas. Milhares de pessoas passaram pela obra nos últimos 52 anos. Muitos se tornaram voluntários e agregaram valor às ações sociais empreendidas. 
 
Em casa Alberto Filho foi um pai rígido, à antiga, mas profundamente dedicado aos filhos, netos e bisnetos. Fez questão que todos os filhos estudassem, cada um segundo inclinações próprias. Formou dois médicos – Alberto Neto e Ângela; a pedagoga Alba e a professora Ana Lívia. "Apesar do jeito forte de ser e agir era profundamente atencioso. Jamais se esqueceu de uma data'. Aliás, gostava de comemorá-las. Nas reuniões de família demostrava-se o excelente pai, avô e bisavô que foi e de quem ninguém, nunca, vai esquecer", finalizou Alberto Neto.
 
O velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Falaram, na oportunidade, o médico psiquiatra Yussaku Soussumi – que clinicou em Franca por muitos anos e participou de atividades médicas na Fundação Espírita Allan Kardec – que veio de São Paulo exclusivamente para despedir-se do amigo; Ramon Ribeiro e Sebastião Hamilton Salomão, companheiros do Culto Alberto Ferrante, e Wagner Deocleciano Ribeiro. O sepultamento aconteceu na segunda-feira, 1º de fevereiro, no Cemitério da Saudade.