A francana Maria Aparecida Ramos D'Elia, residente em Campinas desde o final dos anos 50, morreu aos 88 anos dia 22 deste mês, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Irmãos Penteado, daquela cidade, após complicações respiratórias causadas por pneumonia.
Era filha de Mário D'Elia e Cecy Ramos D'Elia e irmã de Héder (casado com Alice), ambos falecidos; e João Reynaldo, que deixou viúva Maria Stella. Formada professora na Escola Santa Úrsula, de Ribeirão Preto, Maria Aparecida exercitou o magistério por algum tempo mas foi na cultura e nas artes que encontrou o foco de sua vida.
Amava a poesia e adorava produzir. Apesar de obra vasta – e ainda inédita – publicou apenas um livro, Rimas, lançado em Campinas e em Franca. Aqui, o evento teve lugar na ocasião em que recebeu homenagem da escola estadual que tem seu pai como patrono.
Segundo a professora Elza Rodrigues Pinto Oliveira, diretora, "Maria Aparecida amava nossa escola e tornou-se referencial para que as atividades pedagógicas pudessem ser cumpridas adequadamente. O salão de eventos foi mobiliado com doações dela, sem que tivéssemos pedido nada". A diretora também se recorda do lançamento do livro, em 2007: "produzimos uma atividade destinada a reconhecer a participação da comunidade italiana na vida da cidade e Maria Aparecida foi o foco central, como filha de nosso patrono, Mário D'Elia". Já idosa, a poetisa deixou Campinas e veio à cidade para receber a saudação de diretores, professores e alunos durante cerimônia realizada no Teatro Municipal.
Emocionou-se muito e renovou sua jura de amor à escola. Disse que continuava olhando com carinho as atividades culturais da casa de ensino e tornou isso realidade, ainda em vida: "a biblioteca de Mário D'Elia e de sua família, com livros especiais, inclusive o mobiliário, mantidospor ela, em Campinas, no sobrado em que foi morar com a mãe viúva, final dos anos 50 e início dos 60, doou à escola", disse Elza. O acervo será trazido a Franca pela Unifran e instalado no prédio da Escola "Mário D'Elia", em curto prazo.
Filhinha D'Elia, como era conhecida, era a própria sensibilidade. Quando ensinou, fez-se inesquecível. Em seu velório esteve uma ex-aluna, Laura Josefa, para um último olhar. Em seu livro, dedicado "a Franca, aos francanos e aos meus", a veneração e o culto à mãe "no espelho de tua virtude / mira-se, seguro / meu ser timorato / ... de tua retidão / faz couraça / da luz de tua pureza / lanterna" e ao pai: "sinto fluir de teu coração generoso / a seiva que o meu coração alimenta / tu és meu pai / o tronco rijo e as raízes / eu sou a fronde farfalhante!", que lhe deram a cultura que se tornou sua marca.
Ao velório e sepultamento, realizados no Cemitério da Saudade em Campinas, estiveram diretores da Escola "Mário D'Elia".