09 de julho de 2026

Estatísticas escondem 30% dos assassinatos em cinco anos


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A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não contabilizou 53 assassinatos das estatísticas criminais de Franca entre os anos de 2003 e 2007. Os crimes não computados como homicídios pela polícia foram confirmados nos atestados de óbito do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Pelas estatísticas do SIM, o município teve 158 assassinatos no período. São 53 assassinatos a mais que o dado oficial da Secretaria de Segurança do Estado, que registra 105 homicídios.


A explicação para a discrepância entre os números está, segundo a Polícia Civil, no ato do registro da ocorrência. Enquanto o SIM computa os óbitos provocados por “agressão de terceiros, que utilizam qualquer meio para provocar danos, lesões ou a morte da vítima”, a SSP lista apenas os crimes em que o autor tem intenção matar a vítima e ela morre na hora. Assim, ficam de fora das estatísticas estaduais as ocorrências de latrocínio, tentativa de homicídio na qual a vítima não morre no local e lesão corporal seguida de morte. “Seguimos as orientações da secretaria. Essas diferenças muitas vezes são apenas temporárias. Mudanças e correções podem ser feitas enquanto o inquérito ainda está conosco”, disse o delegado seccional de Franca, Marcelo Caleiro.


Para o delegado responsável pelo Serviço de Inteligência da Polícia Civil de Franca, Daniel Radaelli, essas divergências numéricas devem diminuir a partir de 2008. “Foi quando o RDO (Registro Digital de Ocorrências) passou a interligar através de uma rede de informática as unidades da polícia em todo o Estado. Antes, o setor de estatísticas da Seccional tinha que cobrar o envio dos boletins de ocorrência para registro”, disse Radaelli.


Mesmo com o novo sistema, as falhas ainda persistem. Para se ter ideia, em 2008, foram registrados pela Secretaria de Segurança 11 homicídios. No mesmo ano, os arquivos do GCN Comunicação computaram 21 crimes violentos que resultaram na morte das vítimas.


Perdida nesse emaranhado de números está a tragédia que envolveu a família Massucato. Naquele dia 24 de outubro, o ex-seminarista Hélder Massucato Rezende, de 46 anos, atirou na cabeça de sua mulher, a cabeleireira Valéria Gomes Freitas, 38, nas filhas gêmeas Letícia e Júlia, no filho Alexandre, 7, e na mãe dele, Lourdes Massucato, de 75 anos. Depois ele se matou. Apenas Valéria e Júlia sobreviveram. Na época, houve o registro de apenas um homicídio.


Dois membros da família Massucato, três latrocínios, uma lesão corporal seguida de morte, uma morte suspeita e três tentativas de homicídio recheiam a diferença de dez ocorrências entre os dois levantamentos. “Naquele ano tivemos 25 tentativas de homicídio em Franca. Quando a vítima morre e o inquérito ainda está com a polícia, há como mudar o registro junto à Secretaria, mas quando o processo vai para a promotoria não podemos mais alterar os números”, disse Radaelli.

Veja o quadro abaixo: