As mulheres da região de Franca têm cada vez menos filhos. Na média, elas têm 1,67 rebentos, o que na prática quer dizer que a maioria não chega a ter dois. A redução foi comprovada em recente levantamento realizado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). Uma mudança cultural ocorrida na última década - mais mulheres no mercado de trabalho, o aumento da oferta de anticoncepcionais, principalmente na rede pública, e uma maior consciência da importância do controle de natalidade - seria, segundo especialistas, a responsável pela diminuição do tamanho da família paulista.
A queda, no entanto, não ocorreu na mesma proporção em todas as regiões do Estado. De acordo com os números, as mulheres de Franca mantiveram a redução da quantidade de filhos em um ritmo mais lento. Assim, a região passou a fazer parte do grupo que lidera o ranking da fecundidade. É a quarta colocada - atrás da Grande São Paulo, da Baixada Santista e da região de Registro. Enquanto em Franca e municípios vizinhos, a queda na média de filhos por mulher foi de 2,10, em 1997, para os atuais 1,67 - queda de 0,43 -, a região de Registro, por exemplo, viu o índice despencar de 2,68 para 1,73 - 0,95 -, nos mesmos dez anos.
De acordo com o secretário municipal de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, não há um estudo específico que explique porque em uma ou outra região do Estado a quantidade de filhos diminuiu de forma distinta. “Como o movimento é comum a todas as cidades, acredito que essa redução seja cultural. Independe do nosso trabalho. Algumas variáveis que podem levar a esta diferença entre as regiões são crescimento populacional, quantidade de mulheres férteis, receita do município, tipos de investimentos e atividade econômica”, disse Ferreira.
A pesquisa aponta ainda que, na cidade de Franca, dos 4.666 nascidos vivos em 2008, a maioria deles (52,8%) nasceu de mães com idade entre 20 e 29 anos através de cesáreas. Entre as crianças predominaram o sexo masculino e a pele clara. O levantamento é feito anualmente pela fundação junto a cartórios de registro civil do Estado.
Para o secretário de Saúde de Franca, o estudo facilita o trabalho para melhorar o atendimento a mães e crianças. “A gente pode prever gastos e custos para o ano seguinte. É possível fazer um planejamento, por exemplo, sobre a necessidade de leitos, internações e gastos com vacinas”, explicou Ferreira.
Ainda segundo ele, o município tem prestado especial atenção ao número de gestantes adolescentes. Em 1997, mulheres com menos de 20 anos representavam 21,06% das parturientes, no estudo mais recente, a proporção caiu para 15,01%. “O preocupante é que a grande maioria de problemas com recém-nascidos ocorre com mães adolescentes. É um número que a gente vem vigiando, querendo reduzi-lo ao máximo”.
MOTIVOS
Entre as razões apontadas pelo secretário para a redução de nascimentos está o crescimento na oferta de métodos anticoncepcionais na rede pública de saúde. Opinião que é compartilhada pela ginecologista Ana Lúcia Castro Rodrigues. “Aumentou inclusive em opções. Hoje você tem anticoncepção hormonal - comprimido, injeção e pílula de emergência, preservativos, DIUs (Dispositivo Intra-uterino), laqueadura e vasectomia no serviço público. A princípio, há um leque imenso para as usuárias do SUS (Sistema Único de Saúde). Além disso, a tendência mundial é ter um controle maior em relação ao número de filhos para criar, educar e alimentar”, disse a médica.
Veja o quadro abaixo: