08 de julho de 2026

Buenos Aires


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Estive, com minha esposa e um casal amigo em Buenos Aires, Argentina, em viagem de recreio de quatro dias. Reconheço que sempre resisti em visitar aquele país com medo de ser hostilizado por seu povo, pois, ao longo dos anos, vários amigos que lá estiveram retornaram estarrecidos com o tratamento nada ameno do argentino para com o brasileiro. Talvez esse tratamento nada caloroso decorra dos famosos embates futebolísticos.


Porém, devo registrar sinceramente que isso não ocorreu comigo. Aliás, muito pelo contrário. No hotel, no táxi, no metrô e em todos os lugares que visitamos, fomos tratados de forma cordial e fraterna.


Reconheço também que o povo argentino passa por séria e grave crise financeira. Lá todos atribuem a atual situação do país aos desacertos das políticas econômicas dos governos de Carlos Menem, que de forma audaciosa e principalmente leviana, equiparou a cotação da moeda argentina ao dólar americano.


A medida de Menem aqueceu a inflação e aumentou a carestia daquele povo que sofre com o desemprego e com uma moeda desacreditada. O país convive com três moedas, o peso argentino, o real brasileiro e o dólar americano, porém a moeda americana está cotada em patamar que permite às empresas argentinas exportarem seus produtos com competitividade.


O real brasileiro, bastante valorizado, chega a ser cotado pelo dobro do peso argentino. Com isso 85% dos turistas que atualmente visitam o país são brasileiros ávidos por compras, especialmente de produtos em couro.


A surpresa agradável reside na segurança pública, que apresenta níveis bastante satisfatórios. O povo argentino e os turistas passeiam pelas áreas centrais de Buenos Aires com tranquilidade e segurança. Outro item que merece destaque é o do transporte público. Passagens de ônibus urbanos e bilhetes do metrô custam 1/6 dos valores cobrados em São Paulo, capital.


A arquitetura dos prédios em Buenos Aires é lindíssima, toda ela inspirada nas principais capitais européias. Porém, em razão da crise econômica, os prédios, especialmente os públicos, com raras exceções, encontram-se em precário estado de conservação.


O vinho argentino atende ao binômio preço e qualidade. Já na gastronomia, a carne bovina apresenta cortes diferentes dos usuais no Brasil fazendo-a suculenta, macia e bastante apetitosa.


Na música, a atração continua sendo o tango de Gardel e Alfredo Le Pera, este último um brasileiro naturalizado argentino, parceiro daquele e autor das letras dos mais conhecidos tangos portenhos. O tango é muito bem tratado na principal casa noturna de Buenos Aires, a conhecidíssima ‘Señor Tango’, muito bem administrada por seu proprietário Fernando Soler, que também é cantor e apresentador.


Enfim, penso que a Argentina e especialmente sua capital, merecem e devem ser conhecidas dos brasileiros.
Torço de coração, para que a divergência entre o Brasil e a Argentina continue restrita exclusivamente ao futebol, pois somos povos vizinhos e irmãos.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca