08 de julho de 2026

Mudanças na base


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Com a proximidade do mês de julho, quando todos os candidatos às eleições de outubro estarão conhecidos, a movimentação nos últimos dias têm mostrado que a aparente tranquilidade na vida de Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, não será fácil de ser mantida. A ampla coligação que o Partido dos Trabalhadores pretende capitanear em todo o País (perfeita na teoria, mas complicada na prática) já vem fazendo água em vários Estados, mas de forma mais visível em dois considerados chave: Minas Gerais e São Paulo.


Em Minas, a direção nacional do PT vê os seus esforços, para a montagem de um palanque único, irem por água abaixo. Ao contrário do acordo fechado pelo presidente Lula — a indicação do peemedebista Hélio Costa para o governo, tendo um petista como candidato a vice e outro a uma vaga ao Senado —, o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores escolheu Fernando Pimentel como candidato ao governo, em eleição prévia realizada no domingo. Embora o Planalto tenha a esperança de que o ex-prefeito de Belo Horizonte aceite compor chapa com o ex-ministro Hélio Costa, a rebeldia do partido em Minas segue posição diametralmente oposta às pretensões do Diretório Nacional. Se o escolhido tivesse sido Patrus Ananias (também ex-ministro de Lula), que perdeu as prévias, seria muito mais fácil a composição da chapa única.


Esta situação só deixa ainda mais nebulosa a sucessão em Minas. Estado emblemático, segundo maior colégio eleitoral do País, todas os movimentos passam pelo prestígio do tucano Aécio Neves. O ex-governador (que ainda não se convenceu a sair como vice de José Serra) pretende disputar uma vaga no Senado e, franco favorito, praticamente deixa apenas uma para os demais concorrentes. Além disso, tem todas as chances de fazer o vice Antonio Anastasia seu sucessor, por conta da aprovação de seu governo. Como se mostra mais engajado na campanha eleitoral em nível nacional, pode reduzir as chances de Dilma Rousseff repetir o fenômeno ‘Lulécio’ das duas últimas eleições: votos no tucano para governador e no petista para presidente. E isso vem preocupando a base aliada do governo.


Já em São Paulo o entrave responde pelo nome de Orestes Quércia. O peemedebista já declarou o apoio do partido no Estado para o tucano Geraldo Alckmin e se lançou candidato ao Senado. Assim como em várias unidades da Federação (na Bahia o PMDB também vai disputar o governo contra o PT), nas terras paulistas o Partido dos Trabalhadores perde o aliado preferencial (principalmente por conta dos minutos a mais na TV) e ainda tenta costurar uma aliança com outros aliados que ameaçam rachar as fileiras por aqui: PSB e PC do B já se rebelam.


Dependendo dos acontecimentos dos próximos dois meses, o presidente Lula corre o risco de ver a base aliada dividida em diversos Estados, com palanques duplos e aliados rebeldes dando o tom da campanha eleitoral. E se isso acontecer não será tão fácil, pelo menos não como parecia há dois meses, guindar a candidata petista ao Palácio do Planalto.