Apenas nos quatro primeiros meses do ano foram contabilizados 26 furtos em escolas francanas. Municipais, estaduais ou particulares, os autores não manifestam preferência pela estrutura que atacam, nem pelos produtos que surrupiam - botijões de gás, torneiras, móveis ou computadores. Parece que tudo atiça a cobiça dentro das unidades estudantis para quem chega ao extremo de arrombar portões, portas e janelas. Na contabilidade do vandalismo escolar nem a Secretaria Municipal de Ensino escapou e teve um monitor de computador furtado de suas dependências logo no início do ano.
No infeliz balanço do crescimento da criminalidade urbana pouco a estranhar, tendo-se em vista que os alvos dessa violência são cada vez mais sortidos. Já no âmbito moral, tudo a se lamentar, quando se recorda que a essência do ensino é educar para melhorar vidas. A classificação das unidades escolares como ‘lugar de conhecimento’ é hoje mera visão poética. Muito vem sendo perdido em reformulações burocráticas na busca pela evolução numérica de resultados em detrimento da qualidade do ensino praticado. Nesse contexto, o desinteresse toma conta de muitos alunos que aumentam a cada dia as já imensas filas de evadidos e a situação também afasta professores a quem o pífio reconhecimento a seu trabalho tem desmotivado. A esses dois fatores historicamente desestimulantes soma-se agora um terceiro: a violência. Praticada dentro e ao redor dos prédios escolares, em todos os aspectos deixa marcas e fazendo desistir até os mais determinados. Drogas, armas, agressões e desrespeito fazem sua escalada atemorizante.
A melhor - na maioria dos casos única - forma de crescer como indivíduo e cidadão é através do saber que se conquista na escola, com bons mestres e numa relação saudável com colegas. Diante do que se expôs, constata-se que se vai destruindo aos poucos a própria e principal provedora de expectativa de vida, esperança, futuro digno e promissor. Lamentar é inevitável. Se não pelas perdas materiais, principalmente pelo aniquilamento de um simbolismo maior, pois sabe-se que só o conhecimento pode libertar a pessoa de um destino amesquinhado.