Para a colheita de café deste ano, que começa neste mês, a região deve receber cerca de 9 mil catadores vindos principalmente da Bahia e norte de Minas Gerais. A chegada destes trabalhadores gera preocupação para o setor de saúde dos municípios. Como a maioria vem de regiões carentes, aproveitam os quatro meses que passam em cidades como Ibiraci (MG), Ribeirão Corrente e Patrocínio Paulista para usufruir do atendimento nos postos de saúde e clínicas odontológicas municipais. A procura por atendimento médico aumenta, em média, 30%. O fluxo maior gera filas e reclamações dos usuários.
A secretária municipal de Saúde de Ibiraci, Solange Ferreira, já começou a sentir o aumento no atendimento no hospital da cidade. “Recebemos gestantes que nunca fizeram o pré-natal e crianças com carteira de vacina desatualizada. Tem gente que chega com problema pulmonar, cardíaco e até diarreia já que passa dois dias viajando até Ibiraci e não se alimenta direito”.
No município, o maior fluxo é registrado principalmente nos finais de semana. “Não temos muito o que fazer porque não posso ampliar o quadro de funcionários”. A previsão é que a procura aumente ainda mais. Segundo um levantamento do Sindicato Rural de Ibiraci, cerca de 400 trabalhadores já estão na cidade. Mas ainda tem muita gente para chegar. “Para a colheita deste ano, estamos esperando 3.500 trabalhadores”, disse o presidente do Sindicato, Gaspar dos Reis.
O secretário de Saúde de Ribeirão Corrente, Etiene Alberto Luiz, disse que os trabalhadores rurais já estão frequentando o Posto de Saúde. “A procura acontece principalmente durante a semana. A população reclama, mas não podemos deixar de atender”. Para o secretário, muitos catadores tratam dos dentes apenas quando chegam a São Paulo. “Como eles vêm de regiões onde os recursos são baixos, aproveitam o período que estão no município”.
Na Santa Casa de Patrocínio Paulista, não é diferente. “Já tentamos conseguir mais recursos durante este período do ano, mas não fomos atendidos. Acaba prejudicando o atendimento da população mas por conta do SUS (Sistema Único de Saúde) somos obrigados a atender. Já recebemos gestantes que acabam ganhando o filho no município”, disse o diretor administrativo, Jeter Simões.