09 de julho de 2026

Justiça aceita denúncia contra padre Dé


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INVESTIGAÇÃO - O bispo Dom Pedro Luiz Stringhini confirmou ontem que a Justiça Eclesiástica trabalhará ao mesmo tempo que a Justiça comum

A Justiça de Franca aceitou ontem a denúncia de pedofilia contra o padre José Afonso Dé, 74. Isso significa que o juiz Wagner Carvalho Lima, da 2ª Vara Criminal de Franca, concordou em julgar a denúncia feita pelo promotor de Justiça José Lourenço Alves, deu início ao processo no qual o religioso passa a ser réu e decretou sigilo sobre o caso. O próximo passo deve ser a citação do padre para que seus advogados façam sua defesa preliminar, por escrito, no prazo máximo de dez dias. Esta será a primeira chance do vigário convencer a Justiça de que é inocente e conseguir uma absolvição sumária. Caso contrário, o juiz confirma o recebimento da denúncia e o caso segue para julgamento.


Procurados pelo Comércio da Franca, os advogados de padre Dé afirmaram acompanhar o caso apenas pela imprensa, pois não receberam qualquer intimação ou citação sobre a denúncia até agora. "Nem nós (advogados) nem o padre Dé vamos comentar o caso até sermos oficialmente comunicados", disse Eduardo Caleiro Palma, defensor do vigário.


RELEMBRE O CASO
A denúncia contra padre Dé tomou forma na Justiça cinco semanas após o primeiro relato de abuso sexual praticado pelo religioso chegar à polícia, em 24 de março. Na época, um grupo de quatro meninos com idades entre 12 e 16 anos contou à delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio ter sido molestado pelo vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical. Além deles outras quatro supostas vítimas, quatro padres e o bispo diocesano de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, foram ouvidos pela polícia ao longo da investigação. Entre os abusos, os adolescentes contaram que padre Dé os beijou na boca e passou as mãos em suas pernas e órgãos genitais.


O padre José Afonso Dé foi indiciado pela polícia em 12 de abril e denunciado pelo Ministério Publico à Justiça no início desta semana. Na ação, o vigário é acusado por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude (quando a vítima não é vencida por violência ou ameaça, como no estupro, mas enganada). O padre Dé nega as acusações.


Além do processo na 2ª Vara Criminal de Franca, os supostos abusos de padre Dé serão investigados também pela CPI da Pedofilia. O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Magno Malta, afirmou que o grupo - que investiga crimes sexuais contra crianças e adolescentes em todo o Brasil - virá a Franca. A visita, que ainda não têm data marcada, deve confrontar o religioso com suas vítimas.