Infelizmente, faleceu no último dia 22 de abril nesta cidade de Franca, onde nasceu e sempre residiu, aos 81 anos, Manir Latuf. Foi casado com a senhora Marilisa Facioli Latuf, com a qual teve duas filhas, Andréa, casada com Dr. Nicola e Patrícia, casada com Luciano e três netas, Isadora, Flora e Pietra.
Durante anos ele foi proprietário de casa comercial e de casa lotérica, tendo granjeado ao longo de sua trajetória neste planeta, um grande círculo de amigos e admiradores. Era pessoa educada, que tinha por lema servir sempre. Manir foi, sem dúvida alguma, um 'gentleman' na melhor acepção da expressão importada.
Fraterno, solidário e generoso, não media esforços para servir ao próximo, tanto que afirmava com frequência que 'quem não vive para servir não serve para viver'.
Registro, assim, com muita tristeza a perda de um grande amigo. Perder um amigo é perder um grande tesouro, pois como bem ponderou o poeta Milton Nascimento, 'Amigo é para se guardar no lado esquerdo do peito, dentro do coração'.
O meu primeiro contato com ele ocorreu em 1983 e teve caráter eminentemente profissional. Na ocasião, estando eu já formado e exercendo a advocacia, por indicação de um amigo comum o atendi em meu escritório para orientação de cunho eminentemente jurídico.
Porém, foi em 1996 que tive a grata satisfação de reencontrá-lo e com ele construir laços de uma sólida amizade que se estendeu à minha esposa Simone e minhas filhas Rafaella e Larissa.
A partir de então Manir comparecia quase que diariamente no escritório, quase sempre no final do expediente para um bate papo descontraído e sempre bem humorado. Quando não ia ao escritório sua ausência era notada. Suas visitas ajudavam a minimizar os efeitos da jornada diária de trabalho.
Mais recentemente, em razão do seu precário estado de saúde, a frequência das visitas diminuiu. Porém, pelo menos uma vez por semana um de nós do escritório buscava-o em sua residência. Embora já bastante debilitado continuava com o mesmo bom humor, com o mesmo otimismo e com a mesma capacidade de sonhar.
Por ocasião do seu aniversário de 80 anos, ocorrido em dezembro de 2008 e comemorado no restaurante do genro Luciano, com toda a decoração motivada e inspirada no Corinthians, seu time do coração, perguntei-lhe qual lição de vida poderia nos legar em data tão importante para ele e para todos os seus familiares e amigos. Do alto de sua sabedoria octogenária afirmou categórico e sem pestanejar: 'Aprender a perdoar'.
O grande amigo e companheiro se foi e ficou a saudade. Porém, com absoluta certeza, Manir Latuf, com a sua forma alegre e cavalheira de ser, certamente já deve estar reencontrando velhos amigos e fazendo outros, em sua nova morada.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca