08 de julho de 2026

Alienação


| Tempo de leitura: 2 min

Dia desses estava a preparar aulas de Sociologia e invariavelmente não se estuda tal disciplina sem percorrer todos os caminhos que conduziram à criação dessa nova ciência, inclusive, o marxismo.


Antes de prosseguir, é bom lembrar que nas 'profecias' de Marx, estavam previstas revoluções comunistas cujo estopim estava nas constantes tensões entre a classe proletária e os industriais capitalistas exploradores e cruéis. Mas, ironicamente, dizem alguns, as duas principais revoluções comunistas ocorreram em sociedades feudais: Rússia, em 1917 e China, em 1949.


Seguindo em frente, Marx, filho de pai advogado e ainda jovem, mudou-se da Renânia para Paris, onde conheceu Friedrich Engels e se engajou nos movimentos operários. Posteriormente foi expulso de Paris e foi para Bruxelas, onde continuou militando nos movimentos operários belgas. Foi expulso da Bélgica e retornou a Paris. De lá, via à Alemanha e é novamente expulso. Muda-se para Londres, seu último endereço. Morreria em 1883.


Em Os Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844 e em Elementos para a Crítica da Economia Política, se ocupou fartamente em demonstrar as injustiças promovidas pelo capitalismo e inclusive, abordado sobre a mais-valia e a alienação como formas contundentes de exploração da classe operária.


Grosso modo, a 'alienação', para Marx, consiste no fato de que o objeto fabricado pelo trabalhador se torna alheio ao sujeito criador, ou seja, as mercadorias produzidas pelos operários 'não lhes aparecem como objetos feitos por eles mesmos, mas sim, na forma de mercadoria, pois no mercado ganham vida própria, e eles, os trabalhadores, se tornam objetos que seguem as regras do mercado'.


Há, também, nos escrito de Marx, outras formas de alienação, tais como a alienação provocada pela religião e pela educação burguesa.


Se, no seu entender, 'A religião é o ópio do povo', inclusive pelo fato de que acreditando em milagres e na oração o sujeito não se filia ao sindicato e não reivindica os seus direitos. Além do mais, ir à missa ou a qualquer tipo de culto religioso é uma atitude extremamente burguesa.


Se, de um lado, o marxismo clássico com seu viés extremamente violento – foi ele quem escreveu: 'As classes e as raças fracas demais para conduzir as novas condições da vida devem deixar de existir. Elas devem perecer no holocausto revolucionário' -–, tende a desaparecer, o outro lado dessa moeda, o marxismo cultural, torna-se ainda mais insidioso.


Essa 'revolução de veludo' pode ser considerada insidiosa justamente porque é uma 'doença' que evolui sem que inicialmente pareça tão grave. É a situação do peixe que desconhece que está submergido. Tão imersos estamos nessa onda mundial de alienação de mentes que sequer desconfiamos do que venha a ser essa realidade imposta como 'normal'.


A disputa pelas mentes imposta pela guerra psicológica promovida pelos americanos nos anos de 1950 é amplamente exercitada do lado de baixo do Equador. Só que lá era para combater o comunismo clássico, aqui é para implementar o neocoletivismo gramsciano, cujo alvo são os jovens e as crianças.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora