A quebra da sessão da Câmara Municipal de Franca em duas, uma de manhã e outra à tarde, se tornou uma grande confusão entre os vereadores. O artigo terceiro da nova resolução dispõe que ela entraria em vigor na data de sua publicação, o que aconteceu na manhã de ontem. Atenta, a vereadora Graciela Ambrósio (PP) chegou cedo à Casa para a primeira sessão em novo horário. Sozinha. Nenhum dos demais vereadores fez o mesmo. Era só o começo do desencontro. O presidente Joaquim Ribeiro (PSB) chegou a abrir a sessão, mas, uma hora depois, mudou de ideia e a cancelou.
Tudo começou porque, apesar das ausências, Graciela insistiu com o presidente, que estava em seu gabinete, para que ele abrisse a sessão. Joaquim Pereira deu início à uma verdadeira caçada e saiu “laçando” vereadores pelo telefone e nos gabinetes. Marcelo Valim (PSDB) teve de abandonar o programa de rádio que apresenta e correu para Câmara. Por volta das 9h30, quando já havia quórum suficiente, a reunião foi oficialmente aberta.
O que se viu a seguir foi um festival de reclamações e ataques. Pegos de surpresa, os vereadores repudiaram a repentina abertura da sessão. “Ninguém nos avisou da mudança. Está parecendo pegadinha. Não podemos ser expostos ao ridículo desta forma”, lamentou o normalmente comedido Paulo Zamikhowsky (PSB). “Esta sessão não tem validade, não existe, pois não foi convocada dentro do prazo”, disse o petista Silas Cuba. “Alguém está rindo nos bastidores, achando que somos palhaços”, completou Jépy Pereira (PSDB).
Autor da lei, ele afirmou em entrevista gravada que a confusão teria sido orquestrada por Graciela e pelo diretor administrativo, Afonso Teodoro de Souza Filho, com o objetivo de desgastar os demais vereadores. “O que aconteceu foi má fé explícita da doutora Graciela. A publicação ocorreu hoje (ontem), mas, pelo nosso regimento interno, a convocação para a próxima sessão tem de ocorrer dentro de 48 horas. Foi uma palhaçada comandada pela Graciela e pelo Afonso. Criou-se uma situação horrível. Não foi uma atitude digna de uma colega”.
A delegada não se intimidou e foi dura no contra golpe. “O Jépy é muito confuso. Ele não leu o artigo 3º da resolução. Não está sabendo nem o que ele fez. Ele deveria ter dignidade de assumir sua culpa e não ficar culpando os outros pela sua incompetência”.
Às 10h30, o presidente Joaquim Pereira decidiu cancelar o que era para ter sido uma sessão ordinária e alegou que convocou a reunião por insistência de Graciela. “Não era meu entendimento que tinha de ter a sessão hoje (ontem). Convoquei os vereadores, pois era preciso esclarecer a dúvida. Meu objetivo era poder anunciar a nova metodologia no fim da sessão da tarde”.
Após a trapalhada, os vereadores deixaram o plenário e retornaram as 14 horas, para, enfim, começarem os trabalhos. No novo encontro, ninguém fez referências aos transtornos da manhã. Quando a reunião acabou, o presidente anunciou que o próximo encontro acontecerá na próxima terça-feira, às 9 horas.