O quarto domingo do tempo pascal é chamado o domingo do “Bom Pastor”. O salmo 99 nos ensina a rezar assim: “O Senhor, só Ele é Deus, somos o seu povo e o seu rebanho”.
No domingo do bom pastor a Igreja reza pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas, pedindo a Jesus, que é o Bom Pastor, que envie operários para a messe que é a Igreja no meio do mundo. A palavra de Deus proposta pela liturgia da Igreja é bela. A primeira leitura é um trecho do capítulo 13 dos Atos dos Apóstolos: o apóstolo Paulo se encontra com os judeus e pagãos convertidos.
Podemos imaginar a cena: os cristãos, judeus e pagãos convertidos, da longínqua Antioquia da Pisídia se acotovelando para receber Paulo e Barnabé, que muitos deles não conheciam. Não queriam perder nem uma só palavra. No caminho, já lhes iam perguntando o que deviam fazer para serem cristãos autênticos. Em resposta, conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus. Quando chegou o sábado, a sinagoga estava apinhada de gente. Lá estavam os chefes dos judeus. Também a estes Paulo dirigiu a palavra de Jesus mas esta caiu em terra ruim porque, cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. Cegos pela raiva e fanatizados instigaram senhoras da sociedade e políticos influentes para os expulsar da cidade. E eis o contraste: enquanto os pagãos exultavam, cheios de alegria, pelas palavras dos apóstolos a eles dirigida, os chefes dos judeus fechavam-se à graça de Deus.
Na segunda leitura do livro do Apocalípse, capítulo 7, São João, frente à situação angustiante vivida pelos que são perseguidos, anuncia: “O Cordeiro vai apascentá-los e os conduzirá às fontes da água da vida”.
Era tempo de perseguição. Famílias inteiras eram arrastadas para as prisões unicamente por serem cristãs. Filhos, separados das mães. Maridos, para longe das esposas. Crianças inocentes mortas diante da multidão que queria mais e mais diversão. Os cristãos perguntavam por que toda aquela violência, as mentiras, as difamações contra eles, mas não encontravam resposta. O autor do Apocalipse dedicou então 4 capítulos para lhes responder àquele angustiante problema. Emprega várias imagens sobre o que os espera junto de Deus. Ele próprio enxugará as lágrimas de seus olhos! Finalmente apresenta Jesus como pastor e guia porque este tinha dado a sua vida por amor e fora imolado como um cordeiro.
O evangelho é narrado por São João no capítulo 10. Nele Jesus diz: “Eu dou a vida eterna a minhas ovelhas”. A apresentação de Jesus, bom pastor, é um pouco diferente da que Lucas nos apresenta. Assim, lá nos acostumamos com a imagem do pastor carregando a ovelha perdida. Aqui Jesus luta contra os bandidos e as feras para que não levem nenhuma ovelha. A salvação das ovelhas está garantida pela iniciativa, pela coragem e amor do Senhor. Suas ovelhas são todos os que têm a coragem de seguí-lo neste dom da vida em favor dos irmãos. A frase final: “Eu e o Pai somos um” nos deve levar a meditar que todo o povo de Deus, leigos e clero, devemos nos esforçar para conseguir uma unidade de pensamentos e de ações com Jesus, nosso Pastor.
SEMANA DE ORAÇÃO
A Igreja Católica Apostólica Romana e demais igrejas pertencentes ao CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil), celebram de 16 a 23 de maio a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com o tema: “Vocês serão testemunhas dessas coisas” (Lc 24,28). No Brasil essa semana é celebrada entre as festas da Ascensão do Senhor e Pentecostes.
RUMO AOS ALTARES
O Papa Bento XVI assinou o decreto das virtudes de João Paulo II. O documento, junto ao decreto dos milagres, possibilitará a santificação do Papa, prevista para ocorrer no segundo semestre de 2010. Para que João Paulo II seja reconhecido como santo pela Igreja é necessário apenas o reconhecimento de mais um milagre através de sua intercessão.
ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
O domingo do Bom Pastor que hoje celebramos é oportuno para a Igreja rezar junto ao Bom Pastor, Jesus, pelas Vocações Sacerdotais, pedindo ao Senhor da Messe que continue enviando operários para que anunciem com alegria a Boa Nova da Salvação a todos os homens e mulheres da terra.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br