09 de julho de 2026

Câmara quebra sessões e aprova antecipação de reajuste salarial


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CONTRÁRIA - Graciela Ambrósio disse que é imoral antecipar o reajuste: “Está claro que o objetivo é fazer o povo esquecer”

Com onze votos a favor e quatro contra, a Câmara aprovou, ontem à noite, projeto de lei que autoriza os vereadores a aumentarem os salários, para a legislatura seguinte, um ano antes das eleições. Atualmente, o reajuste acontece quatro meses antes do pleito. Para os que votaram contra, a proposta aprovada nada mais é do que uma estratégia para livrar os políticos de reações negativas da população em anos eleitorais.


Três semanas após aumentarem os próprios salários e recuarem por causa da reação popular e da ofensiva do Ministério Público, os vereadores voltaram a dedicar boa parte da sessão para discutir a fixação de seus subsídios. Contrária à ideia, Graciela Ambrósio (PP) apresentou um substitutivo para que o reajuste só pudesse ocorrer 30 dias antes da votação. “É imoral votar um ano antes das eleições. Está claro que o objetivo é fazer o povo esquecer. Proponho que o projeto seja votado no período eleitoral para os vereadores serem fiscalizados”, argumentou em vão.
Vanderlei Tristão (PTB) foi ainda mais incisivo na crítica. “Estamos dando a oportunidade para a Câmara ficar na berlinda mais uma vez. Vamos apanhar de novo. Depois, não adianta reclamar. O projeto visa, simplesmente, iludir a população. É um absurdo. Não é bom brincar com a inteligência da população. O povo não esquece”. Além de Tristão e Graciela, Marcelo Valim (PSDB) e Paulo Zamikhowsky (PSB) votaram contra.


Autor da proposta, Jépy Pereira (PSDB) alegou que a votação na regra atual sempre é tumultuada, pois acontece no período eleitoral. “Não vejo prejuízos em antecipar, já que o reajuste valerá apenas para a próxima legislatura. Ninguém está votando em causa própria. Não dá para saber se seremos eleitos ou não”. A lei ainda será votada em segundo turno nas próximas semanas.


Os vereadores também aprovaram ontem, o projeto que “quebra” as sessões em dois períodos. Das 9 às 12 horas, será realizado o expediente, período em que os vereadores usam a tribuna para debater assuntos de seus interesses e apresentar requerimentos e indicações. A votação dos projetos será feita das 14 às 18 horas. Atualmente, as reuniões começam às 14 horas e não têm hora para acabar. Ontem, terminou às 21h30. “Vamos economizar e ter condições de discutir melhor os projetos. Ampliaremos o contato com a população, pois passaremos o dia todo na Câmara”, defendeu Jépy.


Também de autoria do tucano, o projeto que previa a retomada das férias no mês de julho foi adiado por quatro sessões. Em regime de urgência, a Câmara aprovou propostas apresentadas pelo Executivo que autorizam o município receber verbas do governo do Estado para reformar o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do Leporace e para oferecer cursos profissionalizantes a famílias beneficiadas pelo programa Renda Cidadã.