A apenas uma semana de realizar um evento inédito para arrecadar recursos para manutenção dos atendimentos, a equipe da Apae de Franca está trabalhando a todo vapor. Os funcionários, com apoio dos embaixadores e padrinhos do 1º Leilão “União de Forças”, concentram todas as energias na organização do evento. Até a última quinta-feira, a entidade havia recebido mais de 130 prendas para serem leiloadas. Os itens serão organizados em lotes para serem arrematados no dia 24 de abril, na sede da Apae, a partir do meio-dia.
Os convites já estão esgotados. São esperadas 800 pessoas para saborear o churrasco, assistir ao show de Ronaldo Sabino e arrematar as prendas, que terão toda renda revertida para a Apae e beneficiarão os mais de mil usuários atendidos pela instituição. A expectativa é arrecadar no mínimo meio milhão de reais. “Temos sanduicheiras, televisores LCD, notebooks, fogões, geladeiras, bicicletas e outros produtos em quantidades expressivas. As pessoas podem vir confiantes que vão conseguir arrematar esses brindes e praticar um ato de amor ao próximo, que é doar alguma coisa para a Apae”, disse o presidente da instituição, José Flávio Sandrin. O pagamento dos lotes poderá ser feito em até seis vezes, por boleto bancário.
Ainda há tempo de doar prendas. As pessoas interessadas em contribuir com o 1º Leilão “União de Forças” podem fazer as doações diretamente na sede da Apae ou solicitar que a entidade busque os donativos.
Luís Francisco Zago, mais conhecido como Chico, tem 41 anos e é o aluno mais velho da Apae. Ele será um dos beneficiados com os recursos arrecadados durante o leilão. Chico, que tem atraso mental, estuda na Apae desde os 9 anos e considera a entidade sua casa e os funcionários, uma verdadeira família. Acesse o link da Apae no site www.comerciodafranca.com.br. No site você também pode saber mais sobre os apoiadores do evento, como os cinco embaixadores Adir Leonel (pecuarista), Armando Antônio Rizatti (Skol), Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Mário Roberto Seixas (posto de combustíveis) e Toni Salloum (empresário).
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Poucos dias antes de morrer vítima de câncer no pâncreas, Irma Zago Henrique, que viveu 66 anos, procurou a pedagoga Ada Maria Liboni na Apae para fazer um apelo por seu filho. “Ela pediu que a gente nunca mandasse o Chico embora da Apae, que mantivesse ele aqui enquanto tiver vida”, lembra Ada, com lágrimas nos olhos. O pedido de Irma foi atendido. Luís Francisco Zago, o Chico, é aluno da Apae até hoje, com 41 anos. Começou a freqüentar a entidade ainda menino, aos 9 anos de idade, porque nasceu com atraso mental. Chico é o caçula de quatro irmãos. Dois deles, Sílvio, 50, e Augusto, 48, também nasceram com comprometimento mental e chegaram a frequentar a Apae por algum tempo, mas não continuaram na instituição. Chico, por sua vez, praticamente vive na Apae, que considera sua casa. E não é difícil entender porque tem tanta consideração pela entidade e funcionários.
Ele tinha apenas 1 ano quando o pai morreu vítima do Mal de Chagas, doença do coração. Chico foi criado pela mãe, que era lavadeira. Em 2002, ela morreu. Em todos os momentos, a Apae esteve ao lado dele. Foi na entidade que aprendeu a ler e escrever e descobriu suas habilidades no esporte, construiu amizades e percebeu a capacidade que tem de ser prestativo. “Ajudo as tias, as professoras, a Corina, a Adriane, a Zezé. Meu chefe aqui é o senhor Sandrim (presidente). Dou conselhos para eles”, disse Chico.
Antes da mãe morrer, Chico começou a ajudar a Apae. Chico atua em diversos setores da entidade. Auxilia na portaria como vigilante, nos cuidados com os jardins, na organização dos objetos utilizados nas aulas de educação física e auxilia em todos os eventos realizados pela Apae. “Posso dizer que o Chico é uma pessoa muito feliz, é a felicidade em pessoa. Participa do esporte, fica no ensino profissionalizante, ajuda em todos os eventos nossos. É um curinga”, disse Ada.
A história dele e a da Apae, que existe em Franca há 40 anos, se confundem. Há 32 anos, Chico frequenta a instituição. No livro de registro, há fotos dele - algumas em preto e branco - desde a infância até a fase adulta. Como um dos usuários mais antigos, ele fez parte da primeira turma de esportes iniciada pela professora Marta Cardoso há 24 anos. Ajudou a conquistar mais de 30 troféus para a Apae de Franca. Todos estão guardados na entidade. Chico adora competir. Sempre faz parte dos times que representam a cidade nas competições. “Fomos para Belo Horizonte, de avião, para participar do campeonato de basquete. É bom fazer esporte porque mantém a boa saúde, proporciona integração, ajuda a fazer novas amizades”, fala orgulhoso e com o mesmo sorriso de sempre.
Como bem definiu a professora Marta, mais conhecida como Martinha, Chico é polivalente. Joga basquete, futsal, hand ball, tênis de mesa, vôlei e atletismo, com arremessos de disco, dardo e pesos, a sua categoria preferida.
O esporte foi um divisor de águas na vida de Chico. “O esporte proporcionou um benefício imenso, porque ele era nervoso, brigava muito, não aceitava perder de maneira alguma. Muitas vezes eu tinha que correr atrás dele porque queria bater no juiz nas competições. Hoje isso não acontece mais, ele consegue controlar seus impulsos”, disse Marta.
SONHO REALIZADO
Uma das modalidades preferidas dele é o arremesso de peso, mas outro esporte desperta paixão em Chico. “Ele é são paulino roxo”, dizem as funcionárias da Apae. Foi exatamente o futebol que incentivou a equipe da Apae a realizar um sonho na vida de Chico. Depois de fazer contato com o time do São Paulo, as funcionárias do telemarketing e a psicóloga conseguiram agendar uma visita dele ao Centro de Treinamento do time tricolor na capital paulista.
No ano passado, teve a chance de conhecer o seu ídolo, o goleiro Rogério Ceni, e outros jogadores. Além de voltar com dezenas de fotos na bagagem, trouxe para Franca um uniforme do time com camiseta personalizada e autografada pelos craques. “Tem meu nome atrás da camiseta e o número dez. Uso direto. Ganhei a camiseta, um short, uma bermuda e um agasalho do São Paulo. Eles me receberam bem. Nunca vou esquecer”, disse ele. Chico ainda integra o Conjunto de Música Portal e a Fanfarra da Apae.
PRESENTE SEMPRE
Com 41 anos, Chico frequenta a Apae todos os dias. Acorda às 5 horas e, de bicicleta, segue de sua casa no Parque São Jorge até a entidade. Chega ao local por volta das 6 horas e fica como vigilante na portaria. Depois acompanha as aulas no bloco profissionalizante. “Faço fuxicos, tapetes e já aprendi a fazer sabão com a Ada (coordenadora do ensino profissionalizante da Apae)”. Às sextas-feiras à tarde, Chico treina esporte se preparando para competir mais vezes. “Quero trazer mais um trofeuzinho”. Chico pretende continuar na Apae por muitos anos. “Vou continuar sempre porque eu gosto daqui, eu moro aqui. Aqui é minha casa, gosto de todo mundo, de todos funcionários”.
Chico vive com dois irmãos - Sílvio e Augusto. Contam com ajuda de uma mulher contratada para cuidar da casa, das roupas e das refeições. O irmão Wellington Henrique Zago, 44, é casado e mora em outro local, mas auxilia os familiares. Ele atesta a importância da Apae na vida de Chico. “A Apae foi 100% importante para a socialização do meu irmão. Hoje ele consegue conviver com as pessoas. Não tenho nem palavras para falar da importância da Apae para ele, para minha mãe, para a família”, disse.