Quando Jesus afirmou: 'Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará', conforme se lê em João, 8.40, estabeleceu um verdadeiro programa de esforço pessoal na busca do conhecimento da verdade. Sim, porque depende de cada um o esforço na conquista do conhecimento da verdade.
Evidentemente, o conhecimento da verdade pelo ser humano será sempre relativo, vez que vivemos no mundo de relatividade. Assim, a verdade absoluta pertence a Deus, e só ele que é o Absoluto tem o domínio pleno de toda a verdade. À medida que o homem emprega seus esforços na conquista da verdade, seja pelo estudo, pela pesquisa ou pela experiência de vida, vai acumulando valores que vão sedimentando a visão da verdade. Vale dizer: cada um no seu grau de maturidade tem uma visão da verdade.
Não há uma verdade só para todos. Podemos ter entendimentos coincidentes, porém cada um tem o seu entendimento próprio.
Usemos o exemplo de uma árvore situada no meio da pastagem. É uma árvore, no entanto, ao vê-la, cada um interpretará a árvore de acordo com seu amadurecimento. O botânico classifica-la-á no grupo a que pertence segundo o que diz o seu conhecimento. Um viandante que por ali passar vai analisá-la segundo a sombra que a árvore possa lhe oferecer. Um marceneiro estudará da possibilidade de convertê-la em um móvel qualquer. Um carvoeiro verificará quantos quilos de carvão a árvore poderá produzir. A árvore não mudou, mudou o entendimento e o interesse de cada um. Assim se dá com relação à verdade. Na proporção em que evoluímos, evolui o nosso entendimento da verdade.
Por isso, quando Pilatos perguntou a Jesus: 'o que é a verdade?', Jesus não respondeu. Não responde porque não sabia? Claro que não. Jesus a tudo sabia! É que não podia dizer a Pilatos o que Pilatos não podia entender.
Mergulhado nas circunstâncias do mundo material a que estava submetido, o governador romano não poderia perceber que o Mestre Jesus pertencia a outro padrão evolutivo, conforme Ele mesmo afirmou: 'meu reino não é deste mundo'. Portanto, é tola ilusão desejar-se o domínio da verdade. Tentar retê-la com exclusividade é tarefa inglória que escapa à capacidade humana.
Dessa maneira a nossa verdade, isto é, a que nós podemos entender, jamais pode ser imposta a quem quer que seja pois está relacionada ao nosso grau de amadurecimento. Daí porque ninguém pode situar-se, exatamente, no lugar do outro. Cada qual tem a visão que lhe é própria, resultante do seu permanente esforço na busca da verdade. O meu entendimento pode ser oferecido ao entendimento alheio. Porém, não se pode garantir que o entendimento será o mesmo.
Resta-nos a certeza de que a única verdade é Jesus. Por isso, o lúcido mentor Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, afirmou: 'Jesus, fundamento de toda a verdade', conforme se lê no livro O Consolador. Bem de acordo com o que disse Nosso Mestre, conforme João, 14.6: 'Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim'.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)