08 de julho de 2026

Cautela no trânsito


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A sequência de acidentes graves e fatais nos últimos dias serve como alerta. Desde alguns anos, com a multiplicação dos veículos automotores pelas ruas, avenidas e estradas, sem que os sistemas de segurança de toda a malha viária tenham sido aprimorados no sentido de proteger pessoas, cresceu o risco de vida para condutores. Enquanto carros e motos ganham acessórios cada vez mais avançados, ruas e rodovias (principalmente) não recebem a mesma atenção. No fim, o cuidado de um é descompensado pelo descuido de outro. Aí, continuaremos a ver tragédias como a do metalúrgico José Carlos Vieira de Almeida, 28, morto ao ter a frente da moto que pilotava interceptada por um cavalo, na última quarta-feira, na rodovia João Traficante (Franca/Ibiraci).


Este tipo de acidente, muito comum no interior do nosso Estado - onde é grande o número de propriedades rurais que margeiam estradas pavimentadas ou não -, torna-se espantoso pela reincidência. A culpa, em todos os casos, é do proprietário dos animais que não se sentem obrigados a contê-los dentro das propriedades, deixando-os soltos e ameaçando a vida alheia. É uma irresponsabilidade e uma desconsideração cruel para com aqueles que transitam pelas vias e de repente têm a vida ceifada num triz. Embora a lei determine penas pecuniárias ao proprietário de animal que cause acidente de trânsito, quase sempre o dono não aparece (poucos dos animais envolvidos em ocorrências do tipo têm marcas que os identifiquem). E fica o prejuízo dos veículos danificados e das vítimas sequeladas ou mortas.


Com isso, o perigo continua à solta nas rodovias. O condutor de um veículo automotor, principalmente em horário de visibilidade reduzida (entardecer/noite/manhã), precisa trafegar com um olho na pista e outro no acostamento, já que abundam animais soltos que costumam atravessar a estrada como se não tivessem donos. A má conservação de cercas das propriedades rurais permite que equinos e bovinos circulem tranquilamente não apenas em rodovias vicinais ou estradas municipais sem pavimentação. Rodovias como a Cândido Portinari, duplicadas e com trânsito intenso, também às vezes são invadidas por animais que deveriam estar contidos nas propriedades rurais. É absurdo.


Por isso, é necessário dirigir com extrema prudência e muito cuidado nas malha viária na qual Franca se insere. Embora o problema dos animais não esteja restrito apenas às rodovias intermunicipais, é nelas que tudo se potencializa, em razão da velocidade mais alta permitida por ali. E no final, mesmo contabilizando-se morte, não há a quem acionar, pois nunca se encontra o responsável. Os proprietários de terras ao largo de estradas precisam atentar para a contenção de seus rebanhos, buscando evitar tragédias. A falta de cuidado deles é a primeira causa de acidentes do tipo registrados em nossa região. O perigo, em forma de vaca ou cavalo, pode estar camuflado numa curva, num declive, ao anoitecer ou amanhecer, horários em que as condições de visibilidade ficam comprometidas. Quando chega em cima, o condutor nada pode fazer. Quase sempre é morte certa, cuja responsabilidade moral deve ser atribuída aos donos dos animais. Será que mesmo sem serem identificados permanecerão com a consciência tranquila?