21 de abril de 2026

Morreu Nenzinha Franchini, empresária e fundadora da APAE


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Nenzinha Franchini foi sepultada ontem no Cemitério da Saudade.

Morreu ontem, sexta-feira, em sua residência em Franca, por volta de 9 horas, a empresária, artista plástica e fundadora da APAE, Maria Aparecida – Nenzinha – Franchini. Viveu seus últimos anos batalhando contra um câncer. Ultimamente voltava com frequência ao Hospital do Câncer, para sessões de quimio e radioterapia. Após, internava-se no Hospital Regional para processos de recuperação. Conforme disse sua amiga Maria Ignez Tosello Archetti ao Comércio, “Nenzinha finalmente descansou de suas dores”.

Foi uma empresária vitoriosa. Durante toda a sua vida dedicou-se a manter e ampliar a empresa que recebeu, com o irmão Antônio Carlos, dos pais César Franchini e Julieta Blóis Franchini, a Franchini & Cia Ltda., representante de cervejaria em Franca para uma vasta região, que compreendia, além do nordeste do Estado de São Paulo, o sul e sudoeste de Minas Gerais.
 
Por anos consecutivos foi premiada por resultados comerciais e institucionais relevantes para a marca que representava. Sempre presente na vida social francana, integrou, de maneira informal, a equipe de trabalho da cronista social Patrícia (Sônia Menezes Pizzo), principalmente em causas de benemerência. Em determinada época, unida à jornalista e a suas amigas Maria Ignez Archetti, Maria Laura de Mello Franco Monteiro, Yolanda de Paula Lopes, Horaide Martins Ferreira e Elvira Abrão Moretti, deu origem a um movimento de pais e amigos de crianças especiais, derivando da dedicação executiva deste grupo a APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Franca.
 
Foi presidente da entidade e ocupou, por muitos anos, funções diretivas e executivas na entidade. Sempre em grupo, as amigas jamais se descuidaram daquela causa. Como empresária, Nenzinha, gestora objetiva e rápida, animou estratégias, alcançou vitórias e amizades sólidas, mas colecionou decepções com a mesma velocidade. Um dia, decidiu-se que havia chegado o momento de descansar. Entendeu-se com o irmão Antônio Carlos e foi morar em São Paulo. Lá, dedicou-se à pintura e às artes plásticas. Anos após sua retirada, a Franchini e Cia Ltda seria fechada para o surgimento, no mesmo parque industrial, da empresa Fors Refrigerantes, gerenciada por seus sobrinhos Kakalo e Karla Franchini, conquistando rapidamente espaço no disputado mercado nacional e lançando-se até a projetos internacionais.
 
Tomada pela doença, voltou a Franca. “Foram anos duros, os últimos”, disse Maria Ignez. “Nenzinha enfrentou tudo com a sua forma decidida de ser. Viu a morte de Yolanda e de Maria Laura. Chorou muito mas não se deixou abater, nem que se quebrasse sua fé na possibilidade de sobrevida. Foi até que não houvessem mais possibilidades”.
 
Durante a juventude, Nenzinha integrou equipes competitivas do basquete feminino da cidade. Segundo suas amizades, “foi no esporte que ela aprendeu a combater até a última gota de suor. Não gostava de entrar em disputas para não ganhar. Mirava sempre na vitória”. Já empresária referencial, dedicava-se também a incentivar quaisquer manifestações de benemerência pela qual se encantasse. “Tinha-se que convencê-la sobre a justiça da causa. Se isso se dava, ela se tornava determinante para os bons resultados”, encerrou Maria Ignez.
O corpo foi velado no São Vicente de Paulo e sepultado ontem mesmo, 17:30 horas, no Cemitério da Saudade.