Maria Luiza Salomão
Pela TV, fico sabendo que os jogadores sub-40 (com menos de 40 anos) fazem treinamento diferente dos mais jovens. É ou não é uma boa notícia saber que não se aposentarão? Ou melhor, não serão aposentados compulsoriamente pela idade. Continuam atletas e atuantes no futebol, esporte que exige “gás”, força muscular, agilidade física. No que irão contribuir?
Fico pensando nas pessoas que se apavoram com o envelhecimento. E se não é a memória delas a envelhecer!
A Memória vai mudando ao longo do tempo, ampliando, criando novas redes de significados, re-inventando novas formas de ver o mundo, de ver os pais, os irmãos, amigos. Ela tende a nos fazer rejuvenescer, olhar o mundo de maneira mais fecunda e sensível, ela nos capacita a observar o que antes não tinha se desenvolvido (no dentro da gente).
A pessoa que se vê “velha” e só atenta para isso (as gordurinhas que deformam aqui e ali o corpo, ou as rugas que surgem nos cantos dos olhos, os cabelos que prateiam) precisa se cuidar!
A Memória não envelhece, necessariamente. A Memória recicla, permanentemente subtrai, multiplica, retoca os fatos e os sentimentos, criando novas significações. Tem uma função ativa e criativa. Se há este vício em se fixar no que você foi aos 20 anos, ou como agia e pensava aos 15 anos, e estagnar neste tempo e lugar, você, definitivamente envelheceu (e talvez adoeceu também).
O potencial de crescimento é ilimitado ao se abrir canais para a expressão do nunca vivido/ sentido/ pensado.
Envelhecer pode ser doença se há obsessão em se manter com corpo e alma de 15 ou 20 anos. É preciso um bocado de esforço para se manter igual ao que se foi.
Garanto que os atletas sub-40 vão aproveitar da experiência acumulada, dos treinos passados, do aprendizado em situações de grande pressão, do convívio com várias equipes, treinadores, etc. Como não pensar que toda a vasta aprendizagem, estocada, não os capacitarão a jogar mais e melhor?
Não há inteligência e sabedoria neste esforço inglório contra o curso da vida - envelhecemos, querendo ou não. Por outro lado, quanto mais jovem menor o acervo de vivências, menos vida assimilada, menos memória transformada, menos aprendizado.
Do ponto de vista da Memória somos mais limitados aos 15 do que aos 50, isso também é inegável, desde que não nos deixemos estagnar por falsas expectativas.
Então o melhor é seguir seguindo. Qual a alternativa?