09 de julho de 2026

O MUNDO DE ANAS, HELENAS, MARIAS, RITAS, SOFIAS...


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O mundo que habito, hora é um grão de areia, onde não há espaço para alçar vôos, sufoca e frustra minhas intenções. Hora é vasto como o oceano, o qual não consigo abraçar, mas ao menos me faz acreditar que há um horizonte para vislumbrar.


 Esse paraíso terreno, de um Pequeno Príncipe apaixonado por sua rosa, que apesar de todo cuidado, vai abandonar a eterna criança que não se deixa infectar pelo “vírus” da maturidade.


  Sou Fernão Capelo Gaivota, em busca do sol, do porto, do ninho, admiradora de Ícaro, porém sensata o bastante para saber a hora de retroceder ou desacelerar.


 Interajo com homens e mulheres que buscam a razão de suas vidas (seria esta: ser feliz?). Tropeçam em opulentas oportunidades, porém não enxergam ou as ignoram. Deixam para ser felizes e sentir prazer mais tarde. Mal sabem eles que as circunstâncias são únicas...


 Trajo liberdade sem obedecer tendências ou paradigmas. Sou (a)normalmente, excêntrica. Manias pessoais definem o perfil: menina danada com roupa colorida e chapéu na cabeça; mulher sensual com decote, salto alto e perfume no cangote; senhora simples e a vontade na roupa larga, para tarefas caseiras e caminhadas matutinas
 Hoje sou a criança que brinca com abraços e beijos, doces e chamegos. Aprendi que se não posso ser feliz na França, serei em Franca! Apenas um cedilha faz a diferença... Não me preocupo mais com o futuro. Já chorei demais por ele, deixando de usufruir o presente. Constatei o óbvio: Importante é o Aqui! É o Agora!


 Alguns me encaram como vendaval, outros uma brisa irrelevante. Aqueço, tonteio, resfrio, bambeio. Sou oito ou oitenta, não sei ser cinquenta e oito.


 Broto em cada alvorecer. A música coordena meus passos, suo e sorrio. Rezo e reflito, corro, retomo fôlego, engato primeira e sigo. Atinjo meu alvo, retomo a caminhada. Acelero. Os minutos escorrem - não posso atrasar! Há muito a viver, muita alegria para saborear! Cansada, mas saciada abro a porta da casa onde moro, meu eterno (enquanto durar) reino, onde floresço.
 

Adriana Raymundo
Funcionária pública