Interessante observar que na medida em que avança a campanha eleitoral, configurando os atores e seus aliados na disputa, aumenta, também, o peso das declarações dos candidatos e as interpretações delas feitas.
Nessa ação, a serviço do desmonte de candidaturas, o PSDB sabe jogar bem e utilizar os seus representantes existentes em parte da imprensa. Aliás, o que alguns jornalistas tucanos fazem está longe dos discursos e ataques aguerridos com os quais o PT historicamente ficou conhecido. Lembro-me que o PT tinha um discurso que destacava a luta de classes (não pretendo, aqui, entrar no mérito ideológico da questão) e argumentava com fatos, atos e dados. Hoje, a oposição ao PT e ao governo Lula faz um discurso ironicamente moralista. Como se todos os políticos do PSDB e de seus aliados (PPS, PV e, em destaque o DEM) fossem os paladinos da justiça e da correção pública. Esquecem, facilmente, dos políticos do PSDB e do DEM que estão sendo processados por corrupção nas prefeituras brasileiras. Esquecem que a maior falcatrua político-eleitoral, ocorrida na história recente brasileira, teve como protagonista o ex-presidente Fernando Henrique, através da compra de votos no Congresso Nacional para a aprovação do dispositivo da reeleição.
O fato é que corrupção, improbidade administrativa, prevaricação no exercício público e todos os outros adjetivos apropriados à popular 'sacanagem política' devem ser drasticamente punidos. Não interessa se o dinheiro desviado é para enriquecimento ilícito ou se é para uso partidário eleitoral. É tudo roubo.
Assim, tona-se tendencioso quando a imprensa dá destaque permanente aos Delúbias petistas e pouca referência faz aos Arrudas do PSDB e do DEM ou, mesmo, quando a maioria da imprensa local cita, apenas esporadicamente, a verba desviada na atual administração de Franca, do PSDB, na obra do Canal dos Bagres, no esporte, no esquema de compra da Educação e etc...
A Objetiva, publicada pelo Comércio da Franca no último 9 de abril, mostra essa prática quando se refere ao PT como sendo 'o partido do mensalão, aloprados e dólares na cueca'. É uma pena que ainda exista esse discurso. Eu, como fundador do PT, nunca pratiquei ou defendi mensalão, não sou aloprado e uso cueca para guardar outra coisa. Aprendi, também, a mudar o meu discurso e a reconhecer o mérito das pessoas pelo que elas fazem de correto e pelo exemplo que podem dar à sociedade e, isto, independe da sua cor partidária, da sua religião, da sua opção sexual etc...
Gostaria de ouvir (ou ler) dos oposicionistas do PT e do Lula críticas fundamentadas na sua ação técnico administrativa, que é o que importa nos temas econômicos e sociais do País. Eu, por exemplo, não gosto do PSDB não por causa da arrogância do Sidnei, da cara feia do Serra (aliás, a Dilma não é diferente) e, muito menos, por causa do intelectual engomado Fernando Henrique. Não gosto do PSDB porque ele defende um Estado contrário às minhas convicções e desenvolve uma prática política administrativa que coloca o povo brasileiro à mercê do mercado e da própria sorte. Podemos começar um debate sério a esse respeito. É só me chamar (ou cutucar).