08 de julho de 2026

Andanças


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Você já parou um pouquinho para pensar como é bom andar à toa? É isso mesmo, andar à toa, sem nada para fazer de sério, sem compromissos com aquelas responsabilidades do dia-a-dia. Andar de bobeira e ficar relembrando os velhos tempos? Tempos antigos tempos recentes.

Gosto muito disso, de vagar à toa pela cidade em busca de grandes recordações, novas descobertas, outras análises. E do que mais gosto nestas andanças é relacionar as casas aos seus moradores. Já notou como as moradias na maioria das vezes lembram os seus moradores? Parece que a pessoa está sempre em sua janela. A casa da professora, do médico, do dentista, do motorista, da moça bonita onde se faz serenata, da velha mal-humorada de quem a criançada tem medo. A casa paroquial. E a igreja onde um dia todo mundo entra para conversar um pouco com Deus. Existem também as favelas, os cortiços, as pontes e viadutos, onde sobrevivem pessoas que nada têm de seu. Salve-nos a arte, como cantou Noel Rosa ou como cantam Zeca Pagodinho, Gabriel, o Pensador, o saudoso Bezerra da Silva, tantos outros. É um jeito de descobrir beleza onde pra valer não existe.

É bom andar à toa. É bom rever a cidade onde a gente nasceu. É bom escrever sobre nossa terra, rever os amigos, o cantinho da amargura, o da igreja, o dos “amassos”, a praçinha central e as noites de luar e violão, a pinga no coco e as grandes serenatas. O vinho roubado de algum tio descuidado. O tempo encantado que já vai longe e que de vez em quando brota latente dentro de um coração sonhador, dentro da casa misteriosa chamada vida. Nossa cidade, minha casa, sua casa, nossa vida.