O frio é intenso. O inverno veio para ficar. Todos estão bem agasalhados. Blusas, toucas, botas, meias. O vento seco e frio trinca os lábios das meninas, vermelhos de batom, pele untada com creme bom.
A figueira velha, imponente, é testemunha de uma infinidade de histórias. Sutilmente percebo em sua casca velha e calejada um coração com uma flecha, cortando-o. No último andar, escondidos entre os fortes galhos, o joão- de-barro vai e vem com seu instinto de construtor, à espera do chuvoso verão tropical. As folhas secas caindo são esperança de renovação.
Ao pé da serra, a casa antiga, com seus janelões e portas, impõe respeito, revela sobriedade, remete a mistérios de tempos idos. No fundo, o lago azul, cercado por grama rala e seca, áspera, resultado da estação.
Somos recebidos, entramos e a conversa logo se anima, com café e cigarro. Assuntos se sucedem: preço do café, do boi, do leite, a política agrícola. Mais café, cigarros. Outras conversas.
A filha do dono passa, é linda, parece modelo. Uma olhadinha para ela, várias para o pai.
E o frio? Continua intenso.
Alguém acende a churrasqueira.
A criançada, sapeca e feroz, mantém o corre-corre violento.
A varanda, espaçosa e agradável, muito agradável. A cerveja gelada feito uma espuma leve e macia.
A fumaceira do fogão à lenha, queimando, o balançar das chamas em que o seu calor aquece a alma, alegra os corações.
– Alguém já “descascou” o frango caipira? Já apanhou o quiabo?
As dificuldades dão uma trégua. Respeitam férias.