09 de julho de 2026

Eles também estão aqui!


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Também tenho meus habitantes indesejáveis. Moradores de buracos, “ambientes encharcados de água imunda, cheia de lixo, escuro e fétido*”. E sinto que a cada dia surgem em mim novas impurezas, e chegam mais moradores marginais, transgressores, pedintes, cheios de vício, enfim imperfeitos.

Estou falando de meus sentimentos, da impressão que guardo, das marcas que a vida imprime.

Aqueles que consigo, expulso, ou (milagre!) reabilito.

Mas ainda não cheguei (graças a Deus) ao ponto de desejar simplesmente expulsá-los, pelo contrário, sinto e sei que volta e meia chegam mais moradores para este subterrâneo.

E você leitor, ignora os seus? Assusta-se, amedronta-se quando encara algum deles? Deseja também uma força alheia para resolvê-los?

Sente-se incomodado quando alguém os expõe, os aponta?

Quando os identifica, se compadece emergencialmente por eles?

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. John Donne (Londres, 22.01.1572/ 31.03.1631) foi um poeta inglês.

*do texto da reportagem de Joelma Ospedal/Irinéa Donizeti, Comércio da Franca de 10/02/2010, pág. A4.