O grito rouco do navio corta o crepúsculo de verão
Dizendo o momento que o Tempo guardou
E em que me aguardou paciente.
A hora certa oferece minutos de sal azul e sol.
Meu ainda espantado sonho
Começa a se vestir da abismal realidade anil
E da real poesia onírica das águas.
Olhos ‘a flor da alma,
E abrindo as páginas dos meus passos
pelos passos do oceano,
Meu coração acena silêncio
Para um imenso cais de ausências
E se entrega aos braços do Atlântico.