Não existe medida para a ganância humana. Para se ganhar um dinheiro a mais, os inescrupulosos não se furtam em arriscar com a vida dos semelhantes, vendendo remédios falsificados e inócuos; drogas perigosas e mortais; armas letais e ilegais. Neste rol podem ser incluídos os que não se preocupam e tentam lucrar com a venda de alimentos fora da validade, que se tornam perigosos para a saúde de homens, mulheres e crianças. A apreensão de 200 quilos de alimentos (carnes e derivados) impróprios para consumo em apenas quatro estabelecimentos comerciais de Franca no dia 5 de abril mostra que o francano continua correndo riscos. Há alguns meses a polícia descobriu em São Paulo uma empresa especializada em falsificar prazos de validade em carnes e embutidos. Ou seja, comprava alimentos já vencidos, refazia o carimbo do prazo de fabricação e de validade, recolocava-os no mercado. Uma ação criminosa e mesquinha, expondo a risco milhares de vida, sem nenhum remorso. A busca pelo lucro fácil sem preocupação com o que possa acontecer é sinônimo para a palavra crime.
Alimentos como queijos, carne e iogurte, se consumidos fora do padrão de qualidade, podem causar infecção intestinal e até levar à morte. E o que é pior: as crianças estão mais suscetíveis a estes perigos. Ou seja: quem comercializa este tipo de alimento, sem o necessário cuidado na conservação e na observância da data de validade, pode provocar mortes em série. O que se mostra revoltante é que, em todos os casos, os responsáveis autuados pela polícia ou pela Vigilância Sanitária têm plena consciência do mal que podem causar. Não são ignorantes no assunto.
Não se concebe, nos dias de hoje, viver à mercê das ameaças que vêm das gôndolas dos supermercados ou das geladeiras de açougues. O brasileiro já tem preocupações de sobra com a sua própria segurança, ameaçado pela violência nas vias públicas, no trânsito, dentro de sua casa, para que tenha de conferir, reconferir e conferir outra vez tudo o que coloca dentro de sua despensa. É por demais preocupante quando se sabe que ainda há os que não se preocupam em matar para vender, para lucrar, para ganhar mais.
Pelo menos em Franca, trabalho que vem sendo feito pela Vigilância Sanitária é a única garantia de que não teremos a temer pela nossa saúde. Mas não basta. A cupidez do ser humano continua fazendo vítimas mundo a fora e não há nada que nos garanta a eficácia de medicamentos ou a inexistência de perigo nos alimentos que levamos à boca. Por isso, a atenção de cada um para com os perigos diários a serem enfrentados, da geladeira do açougue à gôndola do supermercado, passando pelas feiras, restaurantes, bares e similares, é de suma importância. E, diante de qualquer suspeita, que sejam chamadas as autoridades competentes para garantir não só a própria mas também a vida do próximo.