Levado pela mãe desde pequeno à igreja católica, um rapaz francano começou a ajudar nas missas com apenas dez anos. A ligação com a comunidade católica despertou o desejo de ser padre. Sem namorar, viveu a adolescência focado nesse sonho. Na Paróquia São Vicente de Paulo teve oportunidade de assistir a celebrações do padre José Afonso Dé e tinha nele um modelo a ser seguido porque achava suas homilias interessantes. Depois de conviver um mês e meio com o religioso no seminário de Iturama (MG), para onde foi levado pelo próprio padre Dé, disse que a admiração virou repulsa. Aos 21 anos, em 1996, ingressou no seminário, mas disse ter ficado estarrecido com o que presenciou no local. Segundo ele, o espaço era palco de verdadeiras orgias. Ele disse que em diferentes ocasiões, padre Dé tentou beijá-lo e passar a mão em suas partes íntimas. Ele não permitiu. No tempo em que permaneceu no seminário, disse ter presenciado namoros entre os seminaristas e visto meninos dormirem no mesmo quarto que padre Dé. Para ele, o religioso é “um monstro, um destruidor de sonhos”. O francano abandonou o seminário. Ao regressar a Franca, contou o que tinha vivido, inclusive a autoridades religiosas, mas não teve crédito. Desistiu de ser padre, desistiu da igreja católica, desistiu de seguir alguma religião. Hoje, com 35 anos, é casado há cinco e pai de dois filhos.