O padre José Afonso Dé, 74, - acusado de abusar sexualmente de quatro meninos moradores na Zona Norte de Franca e com idades entre 12 e 17 anos, no fim do mês passado - se prepara para depor à polícia. O advogado do vigário, Eduardo Caleiro, afirmou que ele passou o fim de semana recluso na casa de amigos onde está hospedado. "Ele busca tranquilidade para enfrentar o depoimento nesta segunda-feira. Sabemos que deve ser cansativo e que a delegada vai buscar contradições em suas palavras", disse Caleiro.
Desde que a denúncia chegou através do Conselho Tutelar à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) no último dia 24, 21 pessoas já foram ouvidas pela delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio entre jovens que dizem ter sido vítimas, padres, Dom Diógenes Mathes e o atual bispo de Franca, Dom Pedro Luiz.
Os quatro garotos mencionados relataram à polícia que os encontros aconteciam nas tardes das quintas-feiras após a missa quando eram convidados a tomar café na casa do padre. Nestas visitas, segundo os meninos, é que os abusos aconteciam. "Ele passava a mão na gente quando a gente cumprimentava ele e depois quando a gente se sentava. Ele inventou uma brincadeira que chamava 'pirulito', chegava na gente e pegava, apertava nosso órgão genital", contou um dos garotos de 14 anos. Outros sete foram ouvidos.
Seis padres de paróquias diferentes foram citados pelas vítimas durante seus testemunhos e convocados pela delegada a prestar depoimentos. Todos afirmaram que conheciam as denúncias de estupro contra padre Dé. O vigário foi afastado de suas funções pelo bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, até que sejam apuradas e esclarecidas todas as denúncias. Ele não pode celebrar missas, batizados nem casamentos. O religioso, que atuava na paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical, afirmou em entrevista ao Comércio ser inocente.